Portal Costa Norte - Notícias de Parnaíba: Parnaíba: seria melhor se fosse pior Parnaíba: seria melhor se fosse pior ================================================================================ Direrot Mavignier on 31/07/2009 23:52:59 Vocês que moram em Parnaíba, quando estiverem amolados, quando precisarem descansar o espírito, mergulhem a alma na alma da cidade – dêem um pulo à Parnaíba... Renato Pires Castelo Branco Se vivo fosse, o nosso escritor-mor Renato Castelo Branco, com certeza não mais faria tal recomendação. Nossa cidade há muito perdeu sua alma. Hoje, é uma cidade perdida com vudus transitando sem rumo, e não mais com parnaibanos entusiasmados e com espírito fagueiro. Todo natural desta cidade com mais de cinqüenta anos, que reside em outras paragens, ao visitar a sua terra, com a intenção de rever a “Parnaibinha de Nossa Senhora da Graça”, não encontra mais aquele lugar com alma, espanta-se e vai embora. Alguns vão, e de tanta surpresa, vão praguejando com a promessa de não mais retornar. A camisa oficial do Instituto Parnahiba diz: “Ame Parnaíba, ela não tem culpa dos filhos que tem”, um reclamo para o nosso descaso. Mas qual seria a saída para Parnaíba? Talvez trocar seus filhos? Poderia ser se substituíssemos pelo povo de Viçosa do Ceará, por exemplo, povo com grande amor à sua terra. Talvez não..., não queremos sair daqui. Mas se tentássemos fazer o possível e impossível para retornar à Parnaibinha dos velhos e bons tempos? Trocaríamos as ruas e avenidas esburacadas, por deliciosas ruas de areias branquinhas e fofas. Os nossos carros sucateados pelas artérias maltratadas seriam substituídos por cavalos e confortáveis carruagens iguais às do Simplício Dias da Silva. As nossas praças sem alma voltariam a ser as nossas antigas e belíssimas Praças Santo Antônio, Coronel Jonas Correia e o cuidado e verde Jardim Landri Sales. Na iluminação noturna, além do luar, teríamos formosos lampiões, colaboradores dos enamorados. No lugar de penarmos em busca de atendimento médico, seríamos prontamente atendidos pela competência e o espírito devotado do Dr. João Silva Filho. Para a droga não precisaríamos da Policia Federal, ela seria a do Dr. Raul Bacellar; salvadora e milagrosa. Farmácia Popular seria a do Dr. Genésio. O nosso balneário seria as deliciosas águas do Igaraçu, com direito a saltos acrobáticos das bordas das barcaças do Moraes S.A. O vazio do rio Parnaíba, pelo intenso trânsito de vareiros e marujos, com Munguba, Quarenta e tudo. Trocaríamos o nosso comércio cheio de lojas de frios forasteiros, pelo carinho desmedido do seu Roland Jacob e a atuação da forte Associação Comercial de Parnaíba. A apática Câmara Municipal, pelo arrojo do Sindicato dos Estivadores. Os balanços auditados das contabilidades das Prefeituras contemporâneas, pelo saldo positivo do prefeito Ademar Neves. Ao invés de brigas por uma sala de apresentação, voltaria o nosso querido e barulhento Cine Teatro Éden. Folguedos duvidosos, por quermesses com canoinhas e vendas de suculentos roletes de cana. Ponte com alçapão e sem graça, pelo velho Porto Salgado com Águia, Pavilhão Bar, Coreto e o belíssimo monumento em homenagem ao inglês descobridor da importância comercial da cera da carnaúba, James Clark. Lojas de roupas que nos transformam em personagens fardados, pela elegância parisiense da Casa Tote Machado. Lojas de péssimos produtos baratos, pelas valiosas variedades do seu Esmeraldo, as vitrines do seu Cristino e Rosemary. As viagens em ônibus frios, pela ebulição romântica dos vapores e da maria fumaça cuspindo alegria. No lugar do sonho do Porto de Amarração, de realização escorregadia, teríamos o navio Josias Moraes ancorado com o seu imponente ar francês de Marseile. As escolas frias e sem vida, pela dedicação carinhosa das donas Marocas Lima, Zezé Lustosa e Sônia Castelo Branco, aonde o calor do conhecimento esquentava a todos. Aquela Parnaíba de outrora, pior para muitos que foram embora, hoje seria melhor. Em fim, o que desejamos é a Parnaibinha de Nossa Senhora da Graça. Pelo menos o seu espírito. Queremos porque queremos! por Diderot Mavignier