O Povoamento da América e o Global Rock Art/2009
Com a evolução de vários ramos da ciência, como a arqueologia, a genética, a lingüística, historiadores, antropólogos, arqueólogos, químicos, físicos e biólogos procuram desvendar os mistérios sobre povoamento da América. Amparados no progresso tecnológico, cientistas, desde o século XIX, desenvolvem teorias que procuram responder sobre a procedência dos primeiros habitantes do continente americano.
Até o início do século XX, foi considerada, erroneamente, a hipótese de autoctonismo. Daí, alguns cientistas defenderam a tese de que os ameríndios tinham exclusivamente origem asiática. Esses homens teriam passado para a América através do estreito de Bering, entre a Sibéria e o Alasca. Esta imigração, iniciada há 35 mil anos AP, aconteceu quando o mar desceu a uns 50m abaixo do nível atual, devido à última glaciação. Os cientistas que defenderam a teoria de Bering consideravam as diferenças morfológicas e culturais apresentadas pelos diversos povos ameríndios, como derivadas do grande período de migração, de sucessivas ondas migratórias, e a influência do meio ambiente variado encontrado no continente americano.
Outros estudos mostraram que a origem do homem americano é pluriracial. Cientistas consideram que o ancestral do índio americano tem várias procedências, derivado de diversos tipos raciais, que chegaram a diferentes pontos da América. Estes migraram no término do período Pleistoceno: os mongóis e esquimós, no estreito de Bering; e malaco-polinésios, através do oceano Pacífico, no Oeste da América do Sul.
Hoje, a maioria dos cientistas e pesquisadores considera que: não há autoctonismo, na América; que não há um tipo de ameríndio biologicamente homogêneo; que a imigração mongolóide foi predominante; e que há dúvidas sobre outros tipos humanos que tenham contribuído para o povoamento do continente americano.
No Brasil, cientistas dividem a pré-história brasileira, em dois períodos: culturas do Pleistoceno, antes de 12 mil anos AP, e culturas do Holoceno, período da nossa atual era geológica, posterior a 12 mil anos AP. No período do Pleistoceno, o homem teria co-existido com a megafauna, como exemplo a preguiça gigante e o tigre dente-de-sabre. As culturas mais antigas foram encontradas em Goiás, Minas Gerais, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Em Minas Gerias, em Lagoa Santa, foi encontrado um crânio de uma mulher que teria vivido há mais de 12 mil anos AP. Luzia, como foi batizada, tem características negróides, mais aproximadas dos australianos e africanos, do que dos asiáticos.
Outra descoberta importante vem da Amazônia brasileira, de uma população ainda pouco estudada no Brasil, os sambaquis, que são montes formados por restos de conchas e mariscos, deixados pelas comunidades conhecidas como sambaquizeiras. Cacos de cerâmica, com datações de aproximadamente 9 mil anos AP, mostram que a rica região ajudou a desenvolver sociedades mais avançadas tecnologicamente. No litoral do Piauí, na praia do Macapá, em Luís Correia, encontra-se o sítio arqueológico de Seu Bode, ainda esperando por estudos que deverão desvendar a cultura dos primeiros homens do litoral nordestino do Brasil.
No Piauí também, no Parque Nacional da Serra da Capivara, reside a mais discutida teoria sobre o povoamento da América. No sítio do Boqueirão da Pedra Furada, no município de São Raimundo Nonato, carvões originados de fogueiras e pedras lascadas indicam uma ocupação humana anterior a 60 mil anos AP. Para os pesquisadores do sítio piauiense, não há dúvidas, o Piauí é, até hoje, o berço do homem americano, opinião ainda não aceita por parte da comunidade científica. Alguns cientistas põem dúvidas quanto à origem desse carvão, se realmente tais vestígios foram produzidos por homens, ou não.
Outra descoberta nos sítios do SE piauiense, no Parque Nacional da Serra da Capivara, foi a presença de ovos de ancilóstomo nas fezes humanas fossilizadas, datadas de 7 mil anos AP. Esse parasita é de regiões quentes, que vive no norte da África e Ásia Meridional, não sendo possível ter vindo do homem que atravessou o estreito de Bering, região de baixas temperaturas, onde o parasita não teria sobrevivido. No Piauí, a Fundação Museu do Homem Americano – FUNDHAM continua as suas pesquisas, apoiadas por várias universidades nacionais e estrangeiras, o que muito poderá contribuir para esclarecer sobre a cultura do homem mais antigo da América.
Ao certo, a teoria do estreito de Bering, de que os primeiros povoadores teriam chegado por volta de 12 mil anos AP, até a pouco aceita, deu lugar a diferentes considerações. O povoamento da América continua a esperar respostas sobre a sua origem. Possivelmente será uma questão que levará muito tempo para se chegar a uma conclusão definitiva.
Congresso Internacional de Arte Rupestre – IFRAO

Parque Nacional Serra da Capivara
29 de junho - 3 de julho de 2009
Acontecerá no Piauí/Brasil, em São Raimundo Nonato, no Parque Nacional da Serra da Capivara, o Congresso Internacional de Arte Rupestre – Global Rock Art promovido pela Fundação Museu do Homem Americano - FUMDHAM, Federação Internacional de Organizações de Arte Rupestre - IFRAO, e a Associação Brasileira de Arte Rupestre - ABAR. A realização deste evento é uma prova do sério trabalho de arqueologia desenvolvido no Piauí. Informações sobre o congresso: http://www.globalrockart2009.com/index.html.









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