O QUE OS FILHOS DESEJAM DOS PAIS?
O que os filhos desejam dos pais? Não raro, ouvimos alguém julgar-se um “paizão”. Às vezes, também, os filhos se dirigem ao genitor dizendo: “meu pai é um paizão”. Mas, o que os filhos desejam dos pais? A colunista, Ruth de Aquino, no artigo intitulado “Nada sobre meu pai”, registra uma dolorosa realidade: “A cada ano, nascem 700 mil crianças no Brasil de “pais desconhecidos”. Filhos de homens que não quiseram reconhecê-los como seus. No Dia dos Pais, quase 30% dos brasileiros não saberão a quem dar um presente ou homenagear. Nunca souberam. A maioria dos “filhos da mãe” nem sequer sabe o nome do pai, nunca viu uma foto, e nem tem certeza se está vivo. Muitos buscam em vão o reconhecimento na Justiça. (...)”.1
Os filhos desejam dos pais, sobretudo, amor. E amar é dar-se integralmente, sem reservas, sem estabelecer condições, sem querer nada em troca. Pois bem, é exatamente isto que os filhos almejam de seus pais. Com a palavra, Gibran Khalil Gibran: “(...) Vós pouco dais quando dais de vossas posses. É quando derdes de vós próprios, que realmente dais. (...)”.2 Entretanto, é muito comum os pais, na medida do possível, presentearem seus filhos a três por dois, sem perceberem que, em verdade, eles não precisam dessas coisas tanto quanto necessitam de você, que é pai. Uma coisa é os pais presentearem seus filhos; outra, bem diferente, é doarem-se a eles. Qual a diferença básica? Numa atitude, eles dão o que possuem; noutra, dão de si mesmos.
É aí que reside uma característica essencial da verdadeira paternidade. Porém, o que significa isto em termos práticos? É, dentre um extenso leque de comportamentos, deter-se para escutar o próprio filho. Neste tempo, onde a luta pela sobrevivência arrebata o pai do convívio de seus filhos muito cedo, torna-se um tanto difícil cultivar esta atitude. Mesmo quando se acham em casa, os pais, com frequência estão absorvidos com atividades outras de seus respectivos interesses que não há tempo para escutá-los. É preciso escutar os filhos; não estabelecendo um diálogo de autoridade, onde haja um nível superior, outro inferior. Mas, uma conversa no mesmo nível de relacionamento em clima totalmente descontraído e repleto de felicidade. Quanto prazer e bem-estar, sem dúvida, há de sentir uma cria nça ou adolescente tendo oportunidade de ter a atenção do pai neste sentido.
Os filhos procuram nos pais um amigo: assim, deve chorar quando os filhos choram; alegrar-se quando se alegram; sofrer quando sofrem. Os filhos, quando crianças, esperam que o pai torne-se uma criança, para com eles brincar. Quando adolescentes, esperam que se torne, também, um adolescente para conversar com eles. Quando adultos, desejam que possa escutar-lhes a alma para sentir seus problemas e colaborar para equacioná-los, porque, ainda no silêncio dos filhos, os pais continuam a ouvir seus corações. Pois, “(...) na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças, nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa. (...)”3.
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1. IN: ÉPOCA, São Paulo, n. 584, p. 130, jul. 2009.
2. GIBRAN, Khalil Gibran. O Profeta. Rio de Janeiro: Associação Cultural Internacional Gibran, p. 17.
3. ob. cit. p. 55.









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