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O VALOR IMENSURÁVEL DA SOLIDARIEDADE

Em momentos de desgraça pública algumas palavras soam com muito mais frequência em vários segmentos da sociedade, como é o caso da palavra solidariedade.

É natural que assim seja em face da grande comoção coletiva que algumas catástrofes costumam provocar no sentimento popular, por exemplo, a ocorrência de enchentes, em diversas regiões do Brasil, atingindo impiedosamente milhares de pessoas, causando-lhes sofrimentos de toda ordem.

Neste contexto, pois, provavelmente nenhuma palavra seja mais adequada que solidariedade. Com efeito, consolidou-se no caráter brasileiro a convicção de que, em situações que tais, nada mais humano e necessário que abrir o coração aos flagelos alheios numa esperança inabalável em, na pior das hipóteses, suavizar a dor de quem se viu colhido por estas calam idades.


Todavia, o problema da solidariedade não está em quem a recebe, porém, em quem a exercita. De fato, na perspectiva cristã há uma diferença fundamental entre solidariedade e solidariedade. Costumo dizer que uma é horizontal, a outra vertical. A horizontal é aquela praticada no objetivo de receber, de algum modo, um gesto de louvor de outrem. Visa de alguma forma obter elogios pelo ato realizado. Em suma, é concretizada objetivando sempre a autopromoção. Deseja, essencialmente, a glorificação de quem a praticou. Esta forma de conduta foi severamente criticada por Jesus, no chamado Sermão da Montanha, porquanto apresenta como desiderato maior a exaltação do ser humano. Algo absolutamente inaceitável para Deus.


Não devemos esquecer que a genuína solidariedade é uma expressão do amor cristão. A solidariedade, conforme o ensino de Cristo, não é apenas uma manifestação pessoal, é antes de tudo uma revelação do amor cristão para com o próximo. Não há solidariedade divorciada do amor, em razão disto há de ser exercida sem “toques de trombetas” ou coisa similar, haja vista que ninguém, absolutamente ninguém dela deve ter conhecimento a não ser o próprio Deus. É a denominada solidariedade vertical em face de ter como fim, exclusivo, a glória do Senhor eterno. Esta, sim, é a verdadeira solidariedade.

Na plenitude do amor cristão, no exercício da humildade e na consciência de que somente Deus deve ser glorificado em tudo é que reside o verdadeiro espírito de solidariedade. Fora disto, é conduta de autopromoção, nada mais.


Nesta quadra de grande perturbação social, em decorrência das chuvas que castigam boa parte de nosso país, somos convocados ao exercício da solidariedade.

Não é justo – e muito menos de boa ética – que nos posicionemos como se nada, absolutamente, nada estivesse acontecendo ao nosso redor.

Todavia, jamais percamos de vista que a finalidade de qualquer ato humano, na mais legítima ótica cristã, há de ser a glorificação divina, vez que qualquer forma de personificação do ser humano é completamente abominável aos olhos de Deus. Solidariedade, sim, porém, sem a menor mácula que possa distorcer o seu verdadeiro sentido.

Samuel de Morais 

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