NÃO HÁ O QUE TEMER
Vivemos cercados de preocupações e angústias de toda ordem. Ainda que, eventualmente, procuremos ocultá-las estão sempre conosco corriqueiramente. A situação existencial alcançou um grau de tamanha perplexidade e incerteza que, na dicção de Paul-Eugene Charbonneau, "(...) engendra um medo novo: não mais o da morte, mas o do amanhã, porque nosso mundo é tão aterrador que não é mais de morrer que se tem medo, mas de viver. O mistério do medo, como o chama Graham Greene, é nosso quinhão." (Cristianismo, Sociedade e Revolução. São Paulo: Herder, 2 ed. 1967, p. 30).
Neste quadro nada animador, provavelmente muitos formularão a seguinte indagação: o que fazer? Esta pergunta traz em si um sério convite à reflexão. Independente, pois, da origem na qual uma possível resposta possa residir, não temos nenhuma dúvida que a verdadeira solução para o mundo de preocupações e angústias que rodeiam as pessoas jaz exclusivamente em Deus, tanto mais porque, inda que não desejemos reconhecer, todas as tentativas humanas para salvar o homem do sofrimento, seja qual for, fracassaram completamente.
Até mesmo a própria filosofia já não tem respostas uniformes e absolutas para a humanidade. Sob esta ótica, demarcou muito bem Jürgen Habermas: "No entanto, hoje, após a metafísica, a filosofia já não se julga capaz de dar respostas definitivas a perguntas sobre a conduta de vida pessoal ou até coletiva." (O Futuro da Natureza Humana. São Paulo: Martins Fontes, 2004, p. 3).
Todavia, o salmista, em sua profunda reflexão, ouviu a voz do Eterno dizendo-lhe: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus (...)." Com efeito, quando confiamos plenamente nEle não há o que temer. Os cuidados, as preocupações com o que possa acontecer e, sobretudo, qualquer espécie de angústia se tornam em nada ante a concreta segurança advinda de sua infalível providência.
De fato, não há o que temer.









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