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ZPE DE PARNAÍBA IV: LOGÍSTICA

Um empreendimento da natureza e características de uma ZPE tem sua logística estruturada em duas dimensões: logística externa e logística interna. A primeira, logística externa, diz respeito precipuamente aos aspectos da infra-estrutura relacionada à movimentação de bens e informações. Portanto, deve cuidar das vias marítimas, fluviais, ferroviárias, rodoviárias, aéreas e da internet, todas, com exceção da última a serem providas pelo poder público  individualmente ou em parcerias público/privadas. A segunda, logística interna, que trata dos procedimentos de armazenagem, fluxo interno, processos etc., é de competência da Empresa Administradora da ZPE e bem mais simples de ser estruturada. 

O escrito de hoje se reportará exclusivamente a logística externa da ZPE de Parnaíba que no entender de especialistas se constitui ainda num gargalo a ser contornado. 

Para os leitores ainda não familiarizados com o tema, é importante destacar que a logística se constitui no conjunto de atividades de movimentação e armazenagem necessárias, de modo a facilitar o fluxo de bens do ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto do consumo final, como também dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento. 

Segundo texto extraído do documento Proposta de Relocalização da Zona de Processamento de Exportação de Parnaíba, PI (APRAZPE 2008, pag.79) – relacionado à logística, “Os dois grandes desafios a serem superados são a construção do porto de Luis Correia e a reativação da ferrovia ligando Altos (próximo a Teresina) a Parnaíba e Luis Correia. Em larga medida, esses obstáculos persistem exatamente pela ausência de uma perspectiva de rápida implantação de um pólo industrial catalisador de um processo de desenvolvimento na região. A ZPE de Parnaíba desempenhará este papel”. 

A legislação brasileira sugere e o bom senso determina que a localização de uma ZPE fique próxima a portos e aeroportos internacionais. São, portanto os dois principais vetores a jusante das atividades de uma ZPE que é obrigada a exportar no mínimo 80% de sua produção. Os vetores a montante do núcleo de processamento no caso da ZPE de Parnaíba seriam ferrovia, hidrovia e rodovia. 

Fazendo uma análise não necessariamente detalhista é possível perceber que no particular, a ZPE de Parnaíba contabiliza no momento apenas o modal rodoviário e do modal aeroviário prestes a ser concluído. O porto de Luis Correia fundamentalmente necessário para escoamento da produção para o exterior tem seu projeto de conclusão da primeira fase prejudicado pela desgastante barreira da burocracia ambientalista brasileira. A ferrovia a ser utilizada seria correspondente aos trechos Altos - Parnaíba - Luis Correia há vários anos desativados e sua recuperação depende do Governo do Estado do Piauí, individualmente ou parceria com a iniciativa privada. A hidrovia pela complexidade da situação de navegabilidade do Rio Parnaíba exige vultosos investimentos e assim, juntamente com a conclusão do Porto de Luis Correia necessitam da ZPE de Parnaíba como pólo industrial catalisador para justificá-los. 

A previsão otimista para as empresas começarem a operar na ZPE de Parnaíba é no intervalo de dois a três anos. Nesse espaço de tempo talvez o Porto de Luis Correia ainda não seja realidade. E quando tornar-se é possível que venha a funcionar inicialmente como “porto satélite”, isto é um porto alimentador (feeder port) dos “portos concentradores” (hub ports) do Pecém no Ceará e do Itaqui no Maranhão, com uma probabilidade maior para o primeiro que deve ser no futuro a principal plataforma logística do Nordeste. 

O Porto de Luis Correia é fundamental. Chegará um momento que a produção da ZPE de Parnaíba por si só justificará que ele possua uma profundidade para atracação de navios de grande porte. Os recursos para conclusão de sua estrutura básica já estão viabilizados (falta superar o impasse ambientalista). Os recursos para torná-lo um “porto satélite” giram em torno de R$120 milhões e necessitam de providências urgentes para ser obtido. 

É interessante citar, embora o artigo se torne mais longo, as funções logísticas que os modais de movimentação de cargas desempenham numa ZPE. Entenda-se, porém que logística não se resume apenas a transporte, embora este represente de 45% a 50% da atividade. 

·        Modal Marítimo (ou Fluvial) É competitivo para produtos com baixo custo por tonelada e ideal para o transporte de grandes quantidades, embora seja pouco flexível, velocidade baixa, limitação a mercados com orla marítima ou fluvial e exigir altos investimentos em estrutura.

 ·        Modal Ferroviário. Adequado para produtos de baixo valor e alta densidade, possibilita o transporte de vários tipos de produtos, e tem baixo custo para elevadas distâncias. Suas limitações dizem respeito à baixa flexibilidade (terminal a terminal), pouco competitivo para pequenos carregamentos e para pequenas distâncias e elevados custos de manuseio. 

·        Modal Aéreo. Apresenta como vantagens alta velocidade de transporte, boa confiabilidade, boa freqüência entre as principais cidades, adequado para produtos de elevado valor e longas distâncias e também para situações de emergência, por outro lado tem entre suas limitações o elevado custo, pouco flexível (terminal a terminal) e não porta a porta e ainda pouca capacidade de transporte. 

·        Modal Rodoviário. Tem a vantagens como flexibilidade, grande cobertura geográfica interna, manuseamento de pequenos lotes, muito competitivo em distâncias curtas e médias, (até 500 quilômetros.), rapidez e serviço porta a porta, enquanto são poucas e leves suas desvantagens, como dependência do trânsito, dependência da infra-estrutura das rodovias, dependência da regulamentação (circulação, horário).            

As três vertentes logísticas  - custo, tempo, qualidade - para a ZPE de Parnaíba, podem ser preliminarmente atendidas a montante do processamento pelo modal rodoviário (matéria-prima) e modais marítimo/rodoviário (bens de capital) e a jusante pelos modais rodoviário/marítimo (via porto do Pecém) e rodoviário/aeroviário (via Aeroporto Internacional de Parnaíba).          

A proposta/sugestão não exclui as providências necessárias à conclusão de Porto de Luis Correia; a recuperação da ferrovia Altos-Parnaíba-Luis Correia; e a recuperação da hidrovia do Parnaíba em todo o seu percurso navegável, que deverão acontecer concomitantemente ao processo de implantação da ZPE.   

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