ZPE DE PARNAÍBA (III): PERFIL INDUSTRIAL. Por Renato Santos Jr.
O que aqui se pretende apresentar ao leitor é resultado de um estudo técnico elaborado - atendendo solicitação da Secretaria Estadual de Planejamento – pelos técnicos parnaibanos Pádua Ramos, Renato Santos Júnior e Carlos Teles, sobre o que seria o perfil industrial desejável para a ZPE de Parnaíba. Por conseguinte, não se trata de uma formatação acabada, pronta etc..., mas que ainda de forma aproximativa se constituirá em instrumento essencial para a fundamentação do planejamento estratégico de ocupação da área, estimativa de investimentos e definição da programação promocional da ZPE no País e no exterior.
O estudo do perfil industrial para nossa ZPE contemplou a estrutura da produção de insumos naturais de forma a reforçar o potencial produtivo da área de abrangência, especialmente de culturas que até hoje são exportadas como commodities, objetivando-se o interesse maior do fomento aos arranjos produtivos regionais, sempre com a preocupação de proporcionar um número maior de empregos diversificados, utilizando a mão-de-obra rural segregando e desenvolvendo seus habitantes nas suas próprias comunidades dando-lhes condições sociais, ambientais e econômicas de desenvolvê-las. Assim se evita um demasiado processo migratório campo-cidade já comprovadamente prejudicial pela sobrecarga dos serviços públicos.
É sabido que o Piauí continua sendo um estado exportador de produtos in natura e que incipiente é a sua capacidade de processamento/industrialização, capaz de agregar valor para exportação. A ZPE onde no mínimo 80% de sua produção obrigatoriamente tem que ser comercializada para o exterior se constitui no ambiente ímpar para a transformação de vários insumos naturais, muitos ainda subaproveitados.
Da pauta de exportação regional merece destaque a cera de carnaúba, que pode ser usada do chip de computador, produtos químicos de elevado valor, celulose até aglomerados para fabricação de móveis e “briquetes”, substituto do carvão para queima de lareiras, com elevado potencial de mercado nas regiões de clima frio; produtos farmacêuticos, - extraídos de vegetais cultivados; no Piauí, Maranhão e Pará -, como a pilocarpina, pilosina, rutina, quercetina, rahmnose, crisarobina l-dopa, lapachol, e quitosana, obtida a partir de crustáceos, largamente encontrados no litoral da região, todos com mercado externo garantido; o babaçu de cuja composição: o EPICARPO contém 20,8% de linina, 16,1% de pentosana e 29,6% de fibra; o MESOCARPO do qual se pode extrair álcool; o ENDOCARPO do qual se pode obter carvão, gás, pirolenhoso e alcatrão; e a AMÊNDOA que proporciona óleo e farelo; peles animais, de caprinos e ovinos apropriadas para a produção de calçados e artefatos de couro de alta qualidade; fontes de produção de óleos vegetais e etanol, destacando-se a CANA DE AÇUCAR, a MAMONA, o TUCUM, a MANDIOCA, o PIQUI, e o PINHÃO; outros insumos regionais, frutas tropicais tradicionais e orgânicas, camarão e camarão liofilizado, peixe, lagosta congelada, crustáceos e moluscos, fécula de banana, aguardente, farelo de soja, farinha de mandioca, mel de abelha, carne bovina congelada, açúcar de cana etc.,do reino mineral, aparecem a opala e o níquel. Com base nos indicativos acima é provável que a estrutura industrial de processamento/industrialização seja composta dos seguintes produtos: frutas tropicais, subprodutos do caju, calçados e artefatos de couro caprino e ovino, cera de carnaúba, fármacos, jóias, produtos do babaçu, biodiesel e etanol.
O elenco de insumos e produtos apresentados não impede que outros, de variados tipos, sejam processados na ZPE de Parnaíba.
No próximo artigo será abordado o tema da logística.
Renato Santos - 15.02.09









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