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PARNAÍBA – PASSADO E FUTURO

image Porto das Barcas, Parnaíba (PI) - Imagem: Ricco Lima

Em primeiro lugar, seria interessante recordar, com o sentimento de doce nostalgia, mas sem pieguice estéril, – os dias de glória da Parnaíba.  Sem sentimentalismo: sentimentalismo que não levaria a nada.  Até porque muitos de nós alimentam a convicção de que nossa Cidade brevemente há de restaurar sua pujança econômica através da chamada Zona de Processamento de Exportações – ZPE.  Mais adiante, voltaremos a tratar da ZPE. 

      A cultura sócio-empreendedora de um povo 

      Os parnaibanos sempre respiraram os ares do mundo. 

     A condição da Cidade, de ter sido núcleo de exportação, manteve-a ligada permanentemente aos grandes centros cosmopolitas da Europa e dos Estados Unidos.  O intercâmbio, por assim dizer, cultural, vigente na época, foi reforçado pela ida, para aqueles centros, de muitos filhos da terra, que para ali seguiam a fim de estudar.  Daí o pioneirismo dos parnaibanos quanto a algumas conquistas da civilização:  conquistas avançadas para a época.  O traço principal de nossa cultura consistiu em que a sociedade civil organizada nunca esperava pelas ações de governo:  ela própria tomava as iniciativas, às custas dos recursos – note bem – particulares.  Eu próprio cheguei a assistir, como observador-criança e observador-adolescente a algumas dessas iniciativas. Mas na sua maioria elas me foram passadas por duas grandes figuras de parnaibanos – Armando Madeira Basto e Haroldo Amorim Rego – ao tempo em que, na I metade dos anos setenta, integrantes da equipe de governo no Estado, mantivemos estreita e amiga convivência. Vejamos algumas delas.

      USINA DE ENERGIA ELÉTRICA.  Talvez as novas gerações não saibam que antes, muito antes de termos energia hidroelétrica gerada pelas usinas de Boa Esperança e de Paulo Afonso, os empresários reuniram-se e implantaram uma usina, primeiro movida a vapor, queimando lenha;  e, depois, queimando óleo diesel.

      E como foi que as coisas se passaram no Brasil?  Os governos estaduais ou locais fundaram suas usinas com dinheiro público, vindo dos impostos.  Só depois, muito depois, começou um processo de privatização.  Mas os parnaibanos chegaram primeiro.  Porquanto as coisas tiveram início na área privada.

      TELEFONIA.  A mesma coisa aconteceu com a instalação dos primeiros telefones.  Foi também a sociedade civil organizada, ela mesma, que instituiu nossa primeira central telefônica, com recursos particulares – sempre com recursos particulares.

      RÁDIO.  Consta que a nossa Rádio Educadora de Parnaíba foi a primeira estação radiofônica do Estado.  Todos nós guardamos nos escaninhos afetivos da memória algumas recordações interessantes – como por exemplo o locutor Nelson Chaves fazendo promoção da “Petrolina Minâncora, o tônico capilar por excelência”.

      AEROPORTO.  E assim ocorreu também com a construção de nosso aeroporto, onde pousavam diariamente aviões da Condor e de umas tantas empresas aéreas da época, como a Panair do Brasil e a Cruzeiro do Sul.

      SANTA CASA DE MISERICÓRDIA.  No momento em que estes apontamentos estão sendo realizados, não se dispõe de informações sobre a criação de nossa Santa Casa de Misericórdia.  A não ser que, como sempre, é obra de particulares.  A Santa Casa prestou – e certamente vem prestando – inestimáveis serviços à população, com destaque para as classes menos favorecidas.

      HOTEL.  O primeiro hotel da Cidade, digno desse nome, foi construído pela Associação Comercial.  Alguém poderia ponderar que até aí nada de mais, pois hotel deve de fato ser construído pela iniciativa particular.  Só que não vinha sendo bem assim no Nordeste.  A fragilidade do mercado hoteleiro não atraia os capitais privados.  E os governos estaduais tomavam a si a incumbência de, pioneiramente, construí-los, assumindo socialmente os riscos.

      CANAL DE SÃO JOSÉ.  Foram ainda os empresários que abriram o canal de São José, para facilitar o tráfego fluvial dos numerosos navios a vapor, rebocando barcaças.  Essas barcaças subiam o rio e penetravam o coração do continente até uma distância de quase 1.200km.  Levando tecidos, remédio, sal, vergalhões de ferro e, enfim, aquilo de que precisavam as comunidades piauienses e maranhenses situadas nas margens do Rio Parnaíba. Quando vinham de lá para cá, traziam o que hoje denominamos commodities:  tucum, babaçu, cera de carnaúba, as quais recebiam tratamento industrial elementar e eram vendidos para os mercados do Estados Unidos, da Europa e da Ásia.  Disso tudo nós já sabemos.  Mas o que cabe ressaltar é que os empresários ganhavam duplamente: em moeda externa, quando exportavam; e em moeda nacional, quando comercializavam com as citadas comunidades ribeirinhas. Além disso, do ponto de vista dos valores e da cultura, esse vínculo com as comunidades intra-continentais do Piauí e do Maranhão contribuía, com certa doze de doce provincianismo – a cordialidade ingênua, a bondade natural, o acolhimento generoso –, para que não desprezássemos jamais nossas raízes luso-afro-brasileiras:  os ares do mundo arejavam, não avassalavam nossa brasilidade. 

      QUE AS EMPRESAS PARNAIBANAS FAZIAM COM ESSA DINHEIRAMA?  Vem, incontida, a pergunta:  que as empresas parnaibanas faziam com essa dinheirama toda?  Com certeza, não faziam como hoje procedem alguns países árabes, ricos em petróleo.  As minorias abastadas de alguns desses países gastam com suntuosidade e extravagância. É o caso de se perguntar como ficarão, depois que os poços de petróleo se esgotarem.

      As minorias abastadas parnaibanas, não.  Aplicavam recursos, digamos assim, excedentes, em obras como essas que foram enumeradas.  E ainda em gastos eminentemente sociais, como os dois exemplos eloqüentes que se seguem.

      ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTOS PARA ENFRENTAR AS CHEIAS DA CHUVA E DO RIO IGARAÇU.  Houve um ano, entre tantos outros, em que o inverno foi excepcionalmente rigoroso.  Parece que, salvo engano, o ano foi o de 1947.  Que fizeram os empresários?  Fizeram algo inacreditável nos dias de hoje:  concederam recursos ao tesouro municipal, a título de antecipação – isso mesmo: antecipação – de impostos, para que o Prefeito de então erguesse barragens definitivas ao longo das margens urbanas do rio, a fim de que elas parassem de invadir as terras baixas da Cidade;  e para que, ainda, o Prefeito bombeasse águas pluviais, somadas às águas fluviais, de dentro para fora desses mesmos terrenos baixos.

      PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS DAS EMPRE-SAS.  Cada empresa tinha seu próprio Contador, certamente formado na União Caixeiral de saudosa memória.  Depois de apurados, em cada final de ano, pelos contadores, os resultados financeiros, eis que as empresas distribuíam parte de seus lucros com seus funcionários.  O que é relevante destacar aqui é que essa prática fora adotada muito antes da Constituição de 1946, quando o instituto da participação dos trabalhadores nos lucros das empresas surgiu em nossa Carta Magna. 

      Que futuro aguarda a Parnaíba? 

      E daí? – perguntaria alguém depois de ter recordado as glorias do passado.  Que futuro aguarda a nossa Parnaíba?

      Em primeiro lugar é preciso ter presente que, de fato, não existe mais, pujante, aquela elite empresarial que marchava na frente.  Mas também não se pode abstrair a circunstância segundo a qual se encontra em estado de gestação uma outra forma de liderança: liderança empresarial mais descentralizada; também a dos moços acadêmicos que todo dia freqüentam nossas universidades, embora estranhamente silenciosos em nossos dias.  Parnaíba a todo momento alcança novos patamares de progresso educacional.  Há liderança de novos políticos, tateando a busca de uma política nova. Entendida como tal a arte de governar e não os atritos ridículos como expressão de distúrbios nas relações humanas entre pessoas disputando o poder pelo poder.

      De outra parte, cabe tratar sobre a ZPE – Zona de Processamento de Exportações.  Primeiro, trata-se de zona livre em cujo interior as empresas produzem para exportar.  Como estímulo de alta voltagem, são isentas de impostos por 20 anos, prorrogáveis. Por isso é que é “zona livre”. E, segundo aspecto, nossa mão de obra é comparativamente barata, frente aos padrões, digamos, europeus.  Assim sendo, se a lógica econômica vingar, é provável que os importadores estrangeiros de produtos piauienses prefiram transferir para Parnaíba suas unidades industriais, conforme ensina a experiência internacional concreta, e passem a processar aqui dentro nossas matérias primas – soja, milho, algodão, álcool, óleo diesel vegetal, carnes, pescados, couros, frutas, flores, fármacos e o mais que aparecer – a custos competitivos, nessa briga de foice da concorrência internacional.  Também poderá ocorrer que empresários nacionais dotados de visão e de recursos criem empreendimentos destinados a essa mesma finalidade.  Ou poderá acontecer ainda o arranjo misto de empreendedores nacionais e estrangeiros associados.

     Os governos federal, estadual e municipal estão sendo mobilizados para a implantação da ZPE de Parnaíba e para a divulgação, dentro do País, mas, principalmente, no exterior, das nossas oportunidades de investimentos rentáveis.    O sucesso desse modelo significará reintroduzir a nossa Parnaíba nas linhas internacionais de comércio, porém desta feita sobre patamar superior de práticas tecnológicas, obedientes aos princípios da modernidade e atentas para as exigências da capacidade para competir no ambiente do comércio global. 

     A Parnaíba merece ser feliz. 

     Pádua Ramos

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Comentários ( 3 postado ):

roberto em 14/09/2009 14:00:25
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Primeiro gostaria de parabeniza pelo o seu texto. A PHB do futuro e pra ter sua economia diversificada: Industrias com a ZPE, Agronegocio com o Ditalpi, e Turismo (devido sua posicao geografica perto e lugares encandores). As perspectivas de crescimento sao boas. No entanto, e bom lembrar que com o crescimento junto vem os problemas sociais, para isso temos que pedir nossos representantes mais investimentos na educacao dos mais pobres. A qualidade ensino publico em nosso municipio tem que ser melhorada. Aulas de reforco e atividades esportivas devem ser introduzidas nas escolas publicas do ensino basico. A educacao sera nossa arma contra a violencia e o crime que quizerem coexistir com o nosso crescimento economico. Os jovens parnaibanos tem que esta com suas cabecas ocupadas resolvendo suas tarefas escolares, ao inves de estarem involvidos em crimes.
roberto em 14/09/2009 14:02:51
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Gostaria de parabeniza pelo o seu texto. A PHB do futuro e pra ter sua economia diversificada: Industrias com a ZPE, Agronegocio com o Ditalpi, e Turismo (devido sua posicao geografica perto e lugares encandores). As perspectivas de crescimento sao boas. No entanto, e bom lembrar que com o crescimento junto vem os problemas sociais, para isso temos que pedir nossos representantes mais investimentos na educacao dos mais pobres. A qualidade ensino publico em nosso municipio tem que ser melhorada. Aulas de reforco e atividades esportivas devem ser introduzidas nas escolas publicas do ensino basico. A educacao sera nossa arma contra a violencia e o crime que quizerem coexistir com o nosso crescimento economico.
anchieta em 07/11/2009 17:55:36
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Caro Pádua Ramos: falou o mestre. Mais do que o mestre, o amante da terra piauiense,com especial destaque a parnaíba. Você ajudou a fazer um Piauí novo. Foi embora. Volte para continuar o seu competente trabalho. Por favor! Volte!!!! abraço anchieta
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