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Macapá Indie

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Festival Quebramar coloca a cidade no circuito da nova música independente brasileira. Foram duas noites bastante animadas, tendo como abrigo as muralhas da Fortaleza São José de Macapá, uma construção histórica às margens do rio Amazonas. Um cenário realmente idílico e que abrigou um público razoável na primeira noite, na sexta, 6, e bem mais numeroso na segunda, no sábado, 7, quando o grupo de hardcore paulistano Ratos de Porão encerrou o festival. Mas antes do RDP foi possível constatar que a cena musical macapaense já conta com nomes que não fariam feio em nenhum outro evento semelhante pelo Brasil afora.

 

Por Humberto Finatti

É admirável como a nova cena musical independente brasileira estende seus tentáculos por todos os quadrantes do país, mostrando novas caras, bandas, organizando festivais e sempre renovando um circuito que pode ser acusado de tudo, menos de ser dominado pelo marasmo. Por exemplo: a longínqua Macapá, capital do Estado do Amapá, abrigou no último final de semana a segunda edição do festival Quebramar. Organizado pelo coletivo Palafita, o evento abriu espaço para bandas locais e algumas convidadas de outros Estados.

É o caso do Samsara Maya, com seu pop rock de guitarras afiadas e canções extremamente melódicas, do Degrau Norte (que paga tributo descarado, mas bem feito, ao Legião Urbana), e do Godzilla, uma das grandes promessas da cidade, com suas canções que não têm pudor em mixar indie rock de guitarras raivosas com ecos dos anos 80. Se faltou algo na primeira noite foi uma apresentação mais longa da banda mais conhecida fora do Estado, a Mini Box Lunar.

Explica-se: o baixista Sady, com o braço enfaixado (por conta de um corte profundo sofrido em um acidente durante um show) não pôde tocar e, por conta disso, a banda fez apenas uma apresentação "simbólica". Mesmo assim, com sua psicodelia que mistura Mutantes a Beatles, a incrível presença de palco das vocalistas Heloana e Jenniffer e canções que parecem contos de fadas para embalar viagens lisérgicas, a Mini Box (eles devem se apresentar em São Paulo na próxima semana) foi o destaque de uma noite que também teve bons momentos com o emocore do paraense Sincera, o rock oitentista do rondoniense Ultimato e a força da porção instrumental do Facas Voadoras, de Campo Grande.


A temperatura e os decibéis subiram consideravelmente no sábado, 7, quando se apresentaram, entre outros, os locais Amaurose (metal
extremo) e SPS12, outra boa revelação com seu hardcore pop à la Fresno. Stereovitrola, veterana na cidade, também mostrou bom show, mas o entusiasmo do público só explodiu mesmo quando João Gordo e seu Ratos de Porão subiram ao palco, à 1h da manhã do domingo, 8. Com o público na mão e vendo todo mundo cantar todas as músicas em coro, não foi difícil para o grupo desfilar seu baú de clássicos alternativos.

Enfim, com organização quase perfeita, um palco de dimensões consideráveis, som potente e calorosa resposta do público presente, o festival Quebramar mostrou saldo altamente positivo. Deve e merece crescer em suas próximas edições. E já está pronto para inserir Macapá no circuito dos grandes eventos musicais alternativos do Brasil.

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Renan Correia
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