Portal Costa Norte - Notícias de Parnaíba: Parnaíba através da Neblina Parnaíba através da Neblina ================================================================================ Claucio Ciarlini on 11/11/2009 07:39:22 O ano era 1999, e nem ao menos havia completado meus 18 anos de idade. Porém nesse período, o que me faltava em anos, sobrava em aprendizados. Desde muito cedo, ainda em 1994, havia mergulhado na noite de Parnaíba, através de boates, beira-rio, festivais de rock e eventos em geral, que me fascinavam... E seduzido pela brisa da madrugada, sempre acabava cedendo à vontade de curtir até que o dia surgisse perante meus olhos, ou ao menos até se esgotarem todas as possibilidades de diversão... Durante um tempo, confesso, foi algo que me agradou e que me conduziu à inúmeras sensações de prazer... Porém com o passar das noites, os lugares e as pessoas foram se revelando frios, interesseiros, egoístas e invejosos, ou talvez sempre fossem assim, e era eu quem não tinha a maturidade suficiente para enxergar... Puxadas de tapete, decepções, traições e desprezos, foi o que eu pude presenciar... Nos corredores de shows, ao passar por entre carros (repletos de egos elevados ao extremo) a se digladiar sonoramente, ou até mesmo surgindo de onde menos esperava, ou seja, entre amigos... Desses cinco anos de contato com o mundo noturno parnaibano, surgiu em 1999 (como já havia dito no inicio) a tríade poética chamada Neblina, um conjunto de poesias que retratavam o lado insensível e decepcionante de uma parcela da sociedade na qual estava inserido na época. Sem mais delongas, apresento-lhes: Neblina – Covil dos desesperados Frases e mais frases Não mais que frases Ações e ações Não mais que ações E tudo está perdido Fortalezas são feitas De destroços Castelos são erguidos Por orgulho E tudo parece Continuar, Porém, não está bem Não acho para onde ir Não sei como seguir Nesse caminho Não mais que mesquinho Nessa cidade Não mais que cidade Completa de maldade E perdição Derrama em meu coração o mais forte veneno... ...Pessoas se vestem para sair Algumas para mentir Outras para sentir Pobres almas Não mais que pobres Não mais que sombras Esgoto da sociedade. -------------------------------------------------------------------------- Neblina – Á beira do fim Vento frio Não mais que frio Noite escura Não mais que escura E eu estou aqui Sem saber Por onde andar Cego como uma coruja Enxergando apenas Na escuridão Preso nesse meu mundo Não mais que imundo Perdido nessa estrada Não mais que errada Falando coisas de amor bandido Fazendo atos de orgulho ferido Nunca saberia eu O que o destino me reservaria Se teria paz no meu peito Ou infelicidade no meu olhar... ...Fácil de falar Fácil de fazer Difícil explicar Difícil viver Nesse meu mundo de ilusão... ----------------------------------------------------------------------------- Neblina – Buraco em minha alma Trancado no meu quarto Não mais que largado Cansado, frustrado, odiado Pensei até em morrer A facilidade como que os outros Enxergam a vida Perturba minha mente Me cava uma ferida Tortuosos são os caminhos Que levam ao amadurecimento Você pensa que pode tudo Mas no fundo Não mais que fundo É um nada Voz de alguém Fala em meu ouvido Embora eu não possa me comunicar A melodia faz com que me acalme Mas não me tira da solidão E perto do fim Não vejo uma razão E então fecho os olhos... (1999)