Capa | BLOGS | Claucio Ciarlini | Parnaíba através da Neblina

Parnaíba através da Neblina

image Imagem representativa de uma Neblina. Fonte: Web.

O ano era 1999, e nem ao menos havia completado meus 18 anos de idade. Porém nesse período, o que me faltava em anos, sobrava em aprendizados. Desde muito cedo, ainda em 1994,  havia mergulhado na noite de Parnaíba,  através de boates, beira-rio, festivais de rock e eventos em geral, que me fascinavam... E seduzido pela brisa da madrugada, sempre acabava cedendo à vontade de curtir até que o dia surgisse perante meus olhos, ou ao menos até se esgotarem todas as possibilidades de diversão...

            Durante um tempo, confesso, foi algo que me agradou e que me conduziu à inúmeras sensações de prazer... Porém com o passar das noites, os lugares e as pessoas foram se revelando frios, interesseiros, egoístas e invejosos, ou talvez sempre fossem assim, e era eu quem não tinha a maturidade suficiente para enxergar... Puxadas de tapete, decepções, traições e desprezos, foi o que eu pude presenciar... Nos corredores de shows, ao passar por entre carros (repletos de egos elevados ao extremo) a se digladiar sonoramente, ou até mesmo surgindo de onde menos esperava, ou seja, entre amigos...

            Desses cinco anos de contato com o mundo noturno parnaibano, surgiu em 1999 (como já havia dito no inicio) a tríade poética chamada Neblina, um conjunto de poesias que retratavam o lado insensível e decepcionante de uma parcela da sociedade na qual estava inserido na época. Sem mais delongas, apresento-lhes:

 

Neblina – Covil dos desesperados

Frases e mais frases

Não mais que frases

Ações e ações

Não mais que ações

E tudo está perdido

Fortalezas são feitas

De destroços

Castelos são erguidos

Por orgulho

E tudo parece

Continuar,

Porém, não está bem

Não acho para onde ir

Não sei como seguir

Nesse caminho

Não mais que mesquinho

Nessa cidade

Não mais que cidade

Completa de maldade

E perdição

Derrama em meu coração o mais forte veneno...

 

...Pessoas se vestem para sair

Algumas para mentir

Outras para sentir

Pobres almas

Não mais que pobres

Não mais que sombras

Esgoto da sociedade.

-------------------------------------------------------------------------- 

Neblina    Á beira do fim

Vento frio

Não mais que frio

Noite escura

Não mais que escura

E eu estou aqui

Sem saber

Por onde andar

Cego como uma coruja

Enxergando apenas

Na escuridão

Preso nesse meu mundo

Não mais que imundo

Perdido nessa estrada

Não mais que errada

Falando coisas de amor bandido

Fazendo atos de orgulho ferido

Nunca saberia eu

O que o destino me reservaria

Se teria paz no meu peito

Ou infelicidade no meu olhar...

 

...Fácil de falar

Fácil de fazer

Difícil explicar

Difícil viver

Nesse meu mundo de ilusão...

-----------------------------------------------------------------------------


Neblina  Buraco em minha alma

Trancado no meu quarto

Não mais que largado

Cansado, frustrado, odiado

Pensei até em morrer

A facilidade como que os outros

Enxergam a vida

Perturba minha mente

Me cava uma ferida

Tortuosos são os caminhos

Que levam ao amadurecimento

Você pensa que pode tudo

Mas no fundo

Não mais que fundo

É um nada

Voz de alguém

Fala em meu ouvido

Embora eu não possa me comunicar

A melodia faz com que me acalme

Mas não me tira da solidão

E perto do fim

Não vejo uma razão

E então fecho os olhos... (1999)

 

'O Portal Costa Norte é apenas meio contratado para divulgação deste material. Todo conteúdo, imagem e/ou opiniões constantes aqui neste espaço é de responsabilidade civil e penal exclusiva do blogueiro, colunista ou de quem utilizou sua senha pessoal para postar as informações, cujo código é de responsabilidade do respectivo autor e desconhecido pelo portal. O material aqui divulgado portanto, não mantém qualquer relação com a opinião editorial da empresa.'
Compartilhar: Add to your del.icio.us del.icio.us | Digg this story Digg

Comentários ( 0 postado ):

Poste seu comentário comment
Por favor entre o código que você vê na imagem:
Concordo com o termo de responsabilidade do portal.
  • email Enviar para amigo
  • print Versão para impressão
  • Plain text Versão texto
image
Claucio Ciarlini
5.00