Parnaíba através da Neblina
O ano era 1999, e nem ao menos havia completado meus 18 anos de idade. Porém nesse período, o que me faltava em anos, sobrava em aprendizados. Desde muito cedo, ainda em 1994, havia mergulhado na noite de Parnaíba, através de boates, beira-rio, festivais de rock e eventos em geral, que me fascinavam... E seduzido pela brisa da madrugada, sempre acabava cedendo à vontade de curtir até que o dia surgisse perante meus olhos, ou ao menos até se esgotarem todas as possibilidades de diversão...
Durante um tempo, confesso, foi algo que me agradou e que me conduziu à inúmeras sensações de prazer... Porém com o passar das noites, os lugares e as pessoas foram se revelando frios, interesseiros, egoístas e invejosos, ou talvez sempre fossem assim, e era eu quem não tinha a maturidade suficiente para enxergar... Puxadas de tapete, decepções, traições e desprezos, foi o que eu pude presenciar... Nos corredores de shows, ao passar por entre carros (repletos de egos elevados ao extremo) a se digladiar sonoramente, ou até mesmo surgindo de onde menos esperava, ou seja, entre amigos...
Desses cinco anos de contato com o mundo noturno parnaibano, surgiu em 1999 (como já havia dito no inicio) a tríade poética chamada Neblina, um conjunto de poesias que retratavam o lado insensível e decepcionante de uma parcela da sociedade na qual estava inserido na época. Sem mais delongas, apresento-lhes:
Neblina – Covil dos desesperados
Frases e mais frases
Não mais que frases
Ações e ações
Não mais que ações
E tudo está perdido
Fortalezas são feitas
De destroços
Castelos são erguidos
Por orgulho
E tudo parece
Continuar,
Porém, não está bem
Não acho para onde ir
Não sei como seguir
Nesse caminho
Não mais que mesquinho
Nessa cidade
Não mais que cidade
Completa de maldade
E perdição
Derrama em meu coração o mais forte veneno...
...Pessoas se vestem para sair
Algumas para mentir
Outras para sentir
Pobres almas
Não mais que pobres
Não mais que sombras
Esgoto da sociedade.
--------------------------------------------------------------------------
Neblina – Á beira do fim
Vento frio
Não mais que frio
Noite escura
Não mais que escura
E eu estou aqui
Sem saber
Por onde andar
Cego como uma coruja
Enxergando apenas
Na escuridão
Preso nesse meu mundo
Não mais que imundo
Perdido nessa estrada
Não mais que errada
Falando coisas de amor bandido
Fazendo atos de orgulho ferido
Nunca saberia eu
O que o destino me reservaria
Se teria paz no meu peito
Ou infelicidade no meu olhar...
...Fácil de falar
Fácil de fazer
Difícil explicar
Difícil viver
Nesse meu mundo de ilusão...
-----------------------------------------------------------------------------
Neblina – Buraco em minha alma
Trancado no meu quarto
Não mais que largado
Cansado, frustrado, odiado
Pensei até em morrer
A facilidade como que os outros
Enxergam a vida
Perturba minha mente
Me cava uma ferida
Tortuosos são os caminhos
Que levam ao amadurecimento
Você pensa que pode tudo
Mas no fundo
Não mais que fundo
É um nada
Voz de alguém
Fala em meu ouvido
Embora eu não possa me comunicar
A melodia faz com que me acalme
Mas não me tira da solidão
E perto do fim
Não vejo uma razão
E então fecho os olhos... (1999)









del.icio.us
Digg

Comentários ( 0 postado ):
Poste seu comentário