Os Sensíveis de Parnaíba: Leonardo Rodrigues da Silva
Quantos poetas existem em Parnaíba? Será que é apenas o aclamado e talentoso Diego Mendes? Logicamente que não. Parnaíba, assim como toda cidade, possui diversos escritores de sensibilidade aguçada e estilos diferentes. São os “sensíveis” como costumo chamar, e que a meu ver, deveriam ter seus dons e nomes divulgados para toda a população, afim de que esta os possa ler e admirar, assim como, sentir e refletir acerca dos sentimentos expostos por cada um destes poetas, escritores, desenhistas, escultores, atores, etc.
E a função deste novo quadro do Blog Cultura Pop é expor esses talentos, que muitas vezes até já possuem seus trabalhos impressos em algum meio jornalístico, porém não são devidamente reconhecidos nas ruas, em razão de não terem suas fotos e trajetórias de vida, revelados ao público.
Dito isto...
Nome: Leonardo Rodrigues da Silva.
Dom: Escreve desde os treze anos. É poeta e escritor de contos e artigos. Possui veia crítica com relação ao que acredita ser errado na sociedade, porém é bastante romântico ao falar de sonhos, vida e sentimentos.
Data de nascimento: Dia 08/09/1989 - Parnaíba (Santa Casa de Misericórdia).
Filho de: Maria do Rosário Rodrigues da Silva e de Francisco Ferreira da Silva.
Formação: Estudou no Colégio Simplício Dias da Silva fazendo até a quarta serie, indo logo após para a unidade escolar Padre Raimundo José Vieira fazendo até a oitava serie. Partiu aí para o colégio Estadual Lima Rebelo. Hoje é graduando no curso de licenciatura plena em história da Uespi.
O autor pelo autor: “Adoro falar do passado, dos pensamentos, dos desejos e das loucuras da adolescência; da coisa que vivi dos amigos que já partiram. Costumo dizer que “o homem é fruto da suas tentativas de acertos e erros”, sou um cara típico que escreve abusando das metáforas na poesia e nos contos. Aplico também esse mesmo estilo em alguns textos acadêmicos. pretendo lançar um livro de poesias no próximo ano. Sou solteiro, mas amo o ambiente familiar e sou apaixonado por crianças e sonho em ser pai. Vivo com meus pais aqui em Parnaíba , onde pretendo manter-me por um bom tempo,se possível. Escuto de tudo um pouco; porém não sou totalmente eclético, bossa nova, musica clássica, músicas religiosas, rock (Legião Urbana, Barão vermelho, Cazuza, Raul Seixas, Biquíni Cavadão, RPM, Kid Abelha, as bandas e cantores fugazes dos anos 80, Roupa Nova, Capital Inicial, Engenheiros do Havaí, Paralamas do Sucesso), MPB (algumas musicas com algum sentido e muita melodia) mas valorizo um bom samba, um sonoro forró pé-de-serra, um belo reggae,entre outros ritmos, minhas poesias sempre foram direcionadas para o publico jovem, sou muito religioso, amo minha fé (católico altamente praticante, integrante da Comunidade Católica Shalom) e tento vive-la o máximo possível. quem quiser falar comigo, me mande um e-mail: leoarcanjonegro@hotmail.com”
Uma pequena amostra do autor: Conto.
PEGADAS DO TEMPO, POEIRA E SONHOS DA ALMA
Terra ao entardecer
Estaciono o carro em frente à loja que trabalho. “O bom samaritano” era o nome da loja de utensílios Religiosos; vendíamos imagens, artigos orientais, livro de orações entre outros tantos... No começo era legal, mas a rotina acaba com qualquer relação afetiva (especialmente aquelas as quais somos obrigados a tolerar). Mas hoje, para mim tanto faz como tanto fez. Meu patrão, rabugento como sempre, me passa o velho e sonoro sermão. Assumo meu posto e espero, espero... Tento tantas saudades dos tempos em que não precisava trabalhar; tinha mais tempo para por em pratica o velho “ócio criativo”: Sentava na poltrona da minha casa, com uma xícara de café (e algumas torradas) e escancarava a boca (entre amigos, é claro) que simpatizava com os comunistas. Andava com o busto de “Che” estampado na camisa. Criava verdadeiras revoluções Nas CEB’s da minha cidade, pois a minha Tia Marinalda era líder de algumas por pouco não me filiei aos partidos radicais; era criticado, chamado de utópico, charlatão entre outros malucos adjetivos. Mas isso foi morrendo...
Sou hoje um cara “normal”, que vive do seu trampo, numa casa própria, possuo um carro e algumas roupas de “marca”, vou a missa aos domingos, me confesso, sou casto e sou dogmático critico. Aos 22, pensei viver em “On Road”, com apenas R$ 20 no bolso e uma mochila nas costas; queria viver a vida assim, sem precisar ser um capitalista adoidado e dissimulado; conviver com a natureza, ainda nu pelos campos, sem regra e sem ordens. Não fui muito longe. Quando a fome bateu, o fedor da roupa me sufocou, voltei correndo para casa, sob os olhares discriminadores dos meus pais. Não éramos ricos, papai era mestre de obras e minha mãe era enfermeira. Tenho sete irmãos (não havia TV em casa!) Sendo eu, caçula. Tudo era pra mim, o resto pros outros. Meus sonhos se perderam quando cheguei aos 25. Joguei fora o Karl Marx, doei de presente as minhas camisas do “CHE” a alguns desabrigados.
Com a minha 1ª formatura, os amigos se dispersaram aos montes. Hoje, pouco contato tenho com eles. Somente alguns que, de certo modo, criaram laços muito fortes comigo.
O meu passeio pela memória para com a chegada de uma freguesa, que descendo de seu carrão, adentra a loja. Tem aquela clássica cara de madame endinheirada. Para. Olha então me chama: Ei, você, moreninho!
Chego perto para ouvir o seu pedido. Ela me pergunta se vendemos imagens de Buda. Digo que sim, então vou mostrar os modelos para a digna Senhora. Buda vem, Buda vai e eu, com cara de idiota carrego imagens desse cara. Cansado, a ouço dizer:
- Não gostei de nenhum, posso falar com seu patrão?
Aponto os fundos da loja. Ouço os dois conversando; com uma curiosidade dos diabos (sei eu, que isso e paca antiético, mas a curiosidade é um dos meus piores defeitos) e assustado escuto:
- Olha, meu esposo não sabe de nós dois, por isso não quero arriscar, esse neguinho que me atendeu, tem uma cara de cagoeta enorme, então eu não vou querer ele novamente neste turno, pois ele o conhece e você sabe, essa raça e nojenta e se vende por qualquer realzinho!
A vontade que tive foi de entrar e sair descendo a mão de pilão na perua, mas bom moço que sou, nada fiz. Não havia testemunhas, nem pessoas dignas que me ajudariam. Sabia que estava sozinho, então me calei. Sabia dos meus direitos, mas de nada adiantaria a minha palavra contra a dela (apoiada em cima de uma torre de reais). A Perua passa entra no carro e vai embora. Meu patrão encosta e reclama comigo sobre o estilo que uso para vender e diz que vou para o turno da tarde das 13 as 17:30. Vou para casa enraivecido e lembro do meu pai, que sempre dizia: “ Meu filho, que tem poder, possui o serio habito de abusar dele”. Isso me dói bastante. Dói em saber que a pessoas capazes de machucar os outros em razão da cor da epiderme.
Vou para casa entristecido, senti vontade de voltar a beber (parei a oito anos); chorei muito. Meu celular toca triunfante; atendo. Seu juanito, o dono do Armazém da esquina, me cobra os 100 reais que devo (Dividas as quais me esqueço de pagar, devido o acumulo de contas de Luz, água, telefone e livros); Digo a velha Ladainha: “Quando tiver dinheiro, vou pagar, eu juro”.
A noite surge e eu estou jogando na cama; Markh Bloch e Akira Toryama enfeitam o meu criado mudo (assim é chamado o meu despertador e meu conjunto para desenhar). Sinto saudades dos amigos das conversas e bares. Não sei onde estão todos. A idade afasta-nos daqueles que não se adequam as normas do sistema. Aí que ódio desta droga de vida! A noite passa e eu sofro, agarro o meu velho caderno de poesias e começo a escrever. Com certeza amanhã tudo vai melhorar. O telefone toca, Ursulina me passa um sermão. Diz que eu estou demorado! (Putz! Esqueci); corro para o banheiro; tomo um rápido banho e visto a minha melhor roupa. Pelo menos hoje à noite, irei parar de viver essa vida louca de ser humano disciplinado. Ai que saudade de Marx, ai que saudade de Byron...
Fikadica: Alguns textos de Leonardo podem ser encontrados no site www.opiagui.com.br .









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