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O dia mais triste da História do Piauí

            Assunto ignorado pelos escritores ditos oficiais da História do Brasil, o Piauí foi o único lugar em que houve guerra pela Independência do Brasil. Começou na Vila de São João da Parnaíba, que hoje é a cidade da Parnaíba, em 19 de Outubro de 1822. Nesse dia, um grupo de parnaibanos, liderados por Simplício Dias e João Cândido, declararam a Independência do Brasil, em apoio a Dom Pedro. A partir daí, desenrolaram-se cinco meses em que as tropas portuguesas se dirigiram de Oeiras para Parnaíba a fim de interromper o movimento. Invadiram e saquearam vilas, prenderam gente aconteceram batalhas. Dia 13 de março de 1823, deu-se a luta final, chamada Batalha do Jenipapo, pertinho de Campo Maior. Nessa carnificina, os brasileiros foram tragicamente derrotados à beira do riacho Jenipapo, com mais de mil mortos. Era o final trágico que dava fim ao sonho épico de Simplício Dias e dos seus homens. Dois dias depois, porém, um certo cearense (tinha de ter cearenses pelo meio!) conseguiu roubar as principais armas dos portugas, que tiveram de fugir e se embrenharam pelo Maranhão, adonde o português Chefe-comandante das tropas foi preso. Só então acabou a Guerra da Independência do Brasil no Piauí. Merecidamente, o dia 19 de Outubro passou a ser a Data Magna da História do Estado, o Dia do Piauí, a data em que se declarou a Independência do Brasil em terras piauienses. Da mesma maneira que o 7 de Setembro é a Data Magna do Brasil.131 anos depois, os mortos daquela triste Batalha do Jenipapo foram sensivelmente lembrados por Carlos Drummond de Andrade num dos poemas da suíte Cemitérios, no livro Fazendeiro do Ar, de 1954. A suíte é composta de cinco poemas curtos (Gabriel Passos, Campo-Maior (assim, com hífen), Doméstico, De bolso e Errante). Difícil é saber como, em 1954, lá no Rio, o poeta mineiro soube daquela batalha, da qual nenhum historiador tinha ouvido falar. Em 54, nem mesmo os piauienses falavam daquele dia funesto, o dia mais triste da História do Piauí.

                                                                                                         

Cemitérios                 (in O Fazendeiro do Ar)

                    Campo-Maior

                                                               Carlos Drummond de Andrade

No Cemitério de Batalhão os mortos do Jenipapo
não sofrem chuva nem sol; o telheiro os protege,
asa imóvel na ruína campeira.

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Benjamim Santos
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