Portal Costa Norte - Notícias de Parnaíba: Paris - Os caminhos de Hemingway nos dois lados do Sena Paris - Os caminhos de Hemingway nos dois lados do Sena ================================================================================ Benjamim Santos on 19/04/2009 20:25:25 A coisa que mais se fala a quem vai a Paris pela primeira vez é que é maravilhoso andar pelas ruas, cruzar pontes, flanar, assim, devagar, sem ter nada vezes nada para fazer. Todo mundo sabe que isso é verdade. Mas talvez nem todo mundo saiba que é gostoso também sair procurando lugares que conhecemos pela literatura; catando ruas faladas nos romances; buscando endereços onde alguém viveu, alguém que a gente gosta. Foi assim que saí procurando os lugares por onde Ernest Hemingway andou nos anos vinte e, depois, quando deixou a cidade e voltava apenas para passar temporadas. Se você gosta de Hemingway e quiser conhecer um pouco de Paris seguindo os seus passos, comece pela rive gauche, que é a margem esquerda do Sena, onde ele morou durante toda a década de vinte do século passado. E comece subindo a Rue Cardinal Lemoine. Chegando ao número 74, você estará diante do primeiro prédio onde o escritor morou quando era jovenzinho. Na última vez que andei lá, há alguns anos, no térreo, havia um salão de chá em homenagem a ele. Era o Under Hemingway’s, um ambiente muito agradável, com cortininhas de renda branca. Não sei se continua. O prédio fica no alto da Montagne Ste-Geneviève, juntinho da Place de la Contrescarpe, uma pracinha onde você pode sentar num dos cafés e ficar lembrando as várias histórias que Hem situou alí, sobretudo o romance O Sol Também se Levanta e o conto As Neves do Kilimanjaro. Para descer a colina, escolha a Rue Mouffetard, que é uma das ruas mais cults da cidade, toda de lojinhas e restaurantes típicos. Foi nessa rua que Hem alugou um pequeno quarto para lhe servir de escritório, no número 39, um velho hotel onde o poeta Paul Verlaine vivera seus últimos dias. É também na Mouffetard (La Mouffe, como dizem os parisienses), que ele começa seu livro mais famoso sobre Paris: Paris é uma Festa. Não adianta, porém, procurar o segundo endereço em que ele morou, na Rue Notre-Dame des Champs, porque o 113 foi engolido pela corrida imobiliária. No entanto, alí na esquina, você encontrará La Closerie des Lilas. A Closerie foi o café parisiense mais freqüentado por intelectuais estrangeiros nos anos dez e vinte, gente como Lênin, Trotski, Blaise Cendrars, Hemingway e muitos outros lendários do século. Mais adiante, na confluência do Boulevard Raspail com o Boulevard du Montparnasse, você vai achar maravilhosos aqueles cafés tão citados na obra de Hem: La Rotonde, Le Select, La Coupole e Le Dôme. Ainda estão todos lá e cada um tem seu toque especial definido. É bem parisiense sentar num deles e pedir moules + frittes, ou seja, um tipo de mexilhões em suas conchas acompanhados de batatas fritas. Uma outra boa caminhada pode começar no Jardin du Luxembourg, o jardim mais central de Paris. Hem contou que, quando era pobre, agarrava pombos no jardim, disfarçadamente, lhes torcia o pescoço e os levava para casa como complemento do jantar. Daí, pegue a Rue de Fleurus, aonde ele ia em visita à escritora Gertrude Stein, no número 27. Depois tome a Rue de l’Odéon, uma rua muito importante para a formação do jovem Hem, pois lá, no número 12, ficava a Livraria Shakespeare and Company, da qual ele se fez um frequentador assíduo e de onde levava pilhas de livros emprestados. É hora então de atravessar o rio e seguir em direção à Place Vendôme, o derradeiro endereço de Hemingway na cidade. Lá, num dos mais belos conjuntos da arquitetura parisiense, fica o Ritz, aquele luxuoso hotel que se tornou a principal referência de Hemingway a partir dos anos quarenta. Em homenagem a ele, o barzinho do hotel chama-se hoje Hemingway. E foi do Ritz que Diana, Princesa de Gales, partiu de carro com o namorado Dodi-al-Fayed e encontrou a morte pouco depois, no túnel de l’Alma. Do outro lado da Place Vendôme, você pode se deslumbrar com algumas das melhores joalherias do mundo. Não muito longe dalí, para terminar essas andanças, nada melhor que uma paradinha no Harry’s Bar, na Rue Daunou, número 5, juntinho da Avenue de l’Opéra. Nesse barzinho, Hemingway ficava horas tomando seus drinks, nos anos cinqüenta. Há várias fotografias dele na parede. Aproveite a visita e tome, como o velho Hem, a sua dose de rum Saint-James, ou uma cerveja mesmo, e brinde aquele escritor que amava Paris mais do que qualquer outra cidade do mundo. Brinde também a si próprio, por estar ali, cultivando lembranças de um tempo em que não viveu, mas que conhece pela literatura e guarda com afeto em seu coração. ____________________________________________________________________ Rio Festa em dose dupla no Maraca e na Sapucaí Começo de ano com festa diferente no Rio. Deu Salgueiro! Deu Botafogo! Quê que eu quero mais? Quero mais o quê? O Fogão ganhou a Taça Guanabara e já está na final do Campeonato Estadual. E o Salgueiro? Campeão com um desfile de arrepiar! E eu nem estava na Avenida. Vi pela telinha. Mas o Salgueiro quando explode o coração, explode mesmo... e na maior felicidade. É assim. Sempre foi assim desde os velhos tempos do Arlindo Rodrigues e do Fernando Pamplona, aqueles velhos tempos do Salgueiro de Isabel Valença e das Irmãs Marinho. (Uma das Marinho é casada com o soberbo cartunista Lan.) Era o tempo do Salgueiro Campeão com Zumbi dos Palmares e com Chica da Silva. A entrada na Presidente Vargas era feita com três estandartes em tripés: "Não é a melhor", "Não é a maior", "Apenas uma escola diferente". E era. Como ainda é, mesmo que não fique mais repetindo o slogan. Depois veio o tempo do Joãozinho Trinta, Campeão com aquele samba lindo que diz que "o touro negro encantado é Dom Sebastião". Por fim, campeão explodindo a Sapucaí quando pegou "um ita no norte", num samba que ficou marcado no espírito carioca. Agora, foi Renato Lage. Ano passado já era pra ter sido Campeão, mas deu aquela escola da baixada. Mas de 2009, ninguém tirou. Só não entendi foi por que Áurea Hamerli (que vi tantas vezes dançando no Municipal e que dançou em vários espetáculos meus, nos Arcos da Lapa), não entendi porque Áurea Hamerli não deu Nota Dez no quesito Mestre-sala e Porta-bandeira. Deu 9.9. Só por isso, o Salgueiro não teve Dez em todos os quesitos. Mas o que será que a Áurea viu de errado em Ronaldinho e Gleice? Ah, deixa pra lá. Nota Dez pro Renato Lage. Dez pro Marcão, Mestre de Bateria. Dez prá Ala Maculelê, coreografada pelo Carlinhos. E prás alegorias e pros passistas e prás baianas. Dez prá Regina Duran, Presidenta da Escola. Só deu Sal. E eu já Salbia. Ano que vem tem mais. _________________________________________________ Samba-enredo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, 2009 Tambor Moisés Santiago, Paulo Shell, Leandro Costa e Tatiana Leite O som do meu tambor ecoa, ecoa pelo ar! E faz o meu coração com emoção pulsar! Invade a alma, alucina. É vida, força e vibração! Vai, meu Salgueiro... Salgueiro. Esquenta o couro da paixão! Ressoou na natureza primitiva comunicação! Da África, dos nossos ancestrais Dos deuses, nos toques rituais Nas civilizações cultura Arte, mito, crença e cura! Tem batuque, tem magia, tem axé! O poder que contagia quem tem fé! Na ginga do corpo, emana alegria Desperta toda energia. No folclore a herança No canto, na dança, é festa, é popular Seu ritmo encanta, envolve, levanta... E o povo quer dançar! É de lata, é da comunidade, Batidas que fascinam Esperança social, transforma, ensina Ao mundo deu um toque especial É show, é samba, é carnaval! Vem no tambor da Academia Que a furiosa bateria vai te arrepiar Repique, tamborim, surdo, caixa e pandeiro, Salve! O Mestre do Salgueiro!