Portal Costa Norte - Notícias de Parnaíba: Seguindo os caminhos do teatro Seguindo os caminhos do teatro ================================================================================ Benjamim Santos on 20/03/2009 11:10:18 Teatro em Olinda Em Olinda, vivi três anos e as paredes do casarão colonial do Seminário me passaram novas dimensões do mundo. Enquanto estudava filosofia e me iniciava em teologia, fiz meus primeiros espetáculos de maior envergadura. Padre Marcelo Carvalheira, o Reitor, entrou numa de que eu era a pessoa indicada para coordenar um grupo de teatro e montar espetáculos. Eu não tinha ninguém para me indicar peças ou orientar meus passos. Mesmo assim assumi. E deu certo. É verdade que, quando fiz o espetáculo mais audacioso (Crime na Catedral), Padre Marcelo convidou uma fera do teatro de Recife para ver um dos ensaios e me dizer coisas. Era Hermilo Borba Filho, de quem eu havia visto O Living-room, no Teatro Santa Isabel. Mas, se Hermilo era gênio na criação de espetáculos, não era lá muito de dar sugestões para espetáculos alheios. Mesmo assim valeu conhecê-lo. Mais tarde, Hermilo teria enorme peso no meu futuro de diretor. No Recife, o Grupo Construção De volta ao Recife e sem que eu me lembre como, de repente, estava envolvido com quase toda a classe teatral da cidade. Em 1965, fundei e dirigi o Grupo Construção, um grupo que movimentou o teatro na cidade, com o espetáculo Cantochão, um espetáculo que criei seguindo a mesma linha dramático-musical do show Opinião, o famoso espetáculo lançado no Rio, um ano antes, no Teatro de Arena de Copacabana.Cantochão, desde a estréia, tornou-se o bem-amado da juventude universitária de Recife, que lotava o pequeno Teatro de Arena, uma casa de espetáculos que havia sido fundada por Alfredo de Oliveira e Hermilo Borba Filho. Foi um enorme sucesso, mas, logo depois, discordei dos caminhos adotados por alguns participantes do grupo e larguei o Construção. Não se passaram dois meses e fui convidado por Leda Alves para participar do TPN. Crítico de teatro na imprensa Durante todo o tempo em que fiz teatro em Recife, atuei também na imprensa. Convidado por Cristina Tavares, mantive duas colunas, no Jornal do Comércio e no Diário da Noite. Como não se tratava de só de crítica, eu fazia comentários, analisava livros recém-lançados, entrevistava atores e refletia sobre os folguedos populares do Nordeste. Quem quiser mergulhar no teatro feito em Recife, entre 1965 e 1969, há de encontrar muito assunto nas minhas colunas daqueles jornais. Técnico em educação e Teatro de Arribação Mas o que eu ganhava na imprensa não dava pra me sustentar em Recife. Então trabalhei na Equipe de Paulo Freire, aquela equipe que fundamentou o Método Paulo Freire de Alfabetização de Adultos. Depois, trabalhei na equipe do Movimento de Educação de Base, um trabalho da Igreja também no campo da alfabetização e da educação de adultos, e fui diretor do Teatro de Arribação. Escolhi esse nome porque se tratava de um grupo que para viajar levando espetáculos pelas usinas de açúcar da zona da mata de Pernambuco. Tanto eu como todos os participantes do grupo tínhamos salários fixos e fomos os únicos artistas do teatro brasileiro que ganhamos dinheiro dos usineiros para fazer teatro em suas usinas. Coordenada por dona Maria Helena Cabral da Costa, toda uma infra-estrutura foi montada e, quando tínhamos espetáculos prontos, armava-se uma pauta de viagens e apresentações. Curiosamente, ou por má escolha minha, nenhum dos atores que convidei para formar o Arribação continuou no teatro. E o grupo acabou-se dois ou três anos depois. Nossos espetáculos, porém, foram vistos por milhares de camponeses da zona da mata.