Portal Costa Norte - Notícias de Parnaíba: No começo, era um rio No começo, era um rio ================================================================================ benjamim santos on 19/04/2009 20:23:21 Parnaíba. É a minha cidade. Lá também passa um rio que é tão belo quanto o rio que passe pela aldeia de qualquer outra pessoa. Quando nasci, a cidade orgulhava-se de si mesma julgando-se a mais importante do Piauí. O tempo passou, as coisas mudaram e hoje, Parnaíba já não se orgulha tanto assim.Fiz o curso primário estudando em casa. Minha irmã era a professora e eu era o único menino da cidade que não precisava sair de casa quando ia prá escola.Meu pai tinha um escritório comercial na esquina de casa. Sua estante de livros abasteceu minhas primeiras curiosidades. Mais tarde, passei a ler na Biblioteca Pública, na Praça da Graça, e o mundo se abriu em porteira infinita.Um dia, deixei a Parnaíba e jamais encontrei pouso certo, definitivo. Mas, de cada lugar por onde andei, de cada cidade e de suas gentes, ficaram as marcas. E me tornei um baú carregado de lembranças, saberes e saudades. Conheci pessoas, como um jardineiro que me ensinou a espalhar sementes de amizade e cada broto fecundou meu próprio chão. Fiz teatro em Olinda, no Recife, no Rio, na Chácara. Comecei a dirigir e escrever para teatro e show em Olinda, quando estudei no Seminário. Depois, no Recife, fundei grupos e trabalhei num dos mais importantes grupos de teatro do Brasil, o Teatro Popular do Nordeste, fundado e dirigido por Hermilo Borba Filho. E não parei mais de escrever e de fazer teatro, sobretudo na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde morei 32 anos. No Rio, meu trabalho se estendeu principalmente no Teatro Infantil, na área de show e em textos para grandes produções de espetáculos de rua, como a Festa do Rio Antigo, nos Arcos da Lapa e a Paixão de Cristo, espetáculo anual da parceria Arquidiocese-Prefeitura.Agora, voltei prá minha cidade e dei de cara com o mesmo rio, embora a cidade já me pareça outra e o rio esteja corrompido pelo desgaste do orgulho humano. Faço tetro, edito, mensalmente, o jornal cultural impresso O Bembém e, aqui, me tornei blogueiro. Vamos em frente.