Cultura na Parnaíba Hoje
Numa entrevista exclusiva ao jornal O Bembém, o professor Vítor de Athayde Couto dá o seu ponto de vista sobre a cultura na cidade.
Vítor, um peagabê de estirpe
Depois dos estudos preliminares na Parnaíba, onde nasceu, Vítor de Athayde Couto formou-se em Economia, em Salvador. Fez especialização em Economia Rural na Federal do Rio Grande do Sul. Mestrado, fez em Paris, na Panthéon-Sorbonne. Doutorado em Estudos Rurais Integrados, na Universidade de Toulouse, e pós-doutorado, em Montpellier, na Universidade Paris I e na Universidade de Rouen. De volta ao Brasil, na Bahia, passou a exercer vários cargos, sempre no meio acadêmico. Atualmente, embora continue radicado em Salvador, exerce um trabalho de alta importância na área de extensão, na Parnaíba, através da Universidade Federal do Piauí.
Trechos da entrevista
Como você a Cultura da Parnaíba hoje?A cidade ficou barulhenta com tanto forró de gosto duvidoso. São bandas que levam todo o dinheiro das pessoas daqui. Não que eu não goste de forró. Eu fui educado com forró, mas não de mau-gosto artístico. Nós temos uma memória de Luís Gonzaga e pé-de-serra. Esses mega-eventos de hoje reúnem milhares de pessoas para assistirem a essas bandas de nenhum valor. Por outro lado, nos últimos cinco anos, eu vi emergirem, aqui em Parnaíba, muitas atividades artísticas relacionadas com a música. Uma das referências é o Sesc e há outras escolas de música. Uma delas escolas é a do Gregório, grande violonista que nós temos na cidade, para chorinho. Identifiquei também uma vocação entre jovens, por influência de igrejas protestantes, para tocar instrumentos ou para o canto coral. A orquestra de câmara do Sesc me surpreendeu. Mas eu já sabia de jovens que estudam violino, flauta, clarinete, saxofone e violão. Fiquei contente também ao identificar que muitos desses jovens são netos dos velhos músicos dos Piratas do Ritmo e do conjunto do José Narciso. O importante é que o repertório desses jovens não tem nada a ver com o forró daquelas bandas de fora. Conheci recentemente vários grupos de chorinho em que se misturam a velha guarda e os jovens. E pude presenciar talentos, principalmente, uma grande quantidade de jovens tocando bandolim e cavaquinho. Dada a origem do chorinho, já se percebe o bom gosto assim como a dificuldade de tocar. Como você sabe, na origem do chorinho estão Ernesto Nazaré, Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga e, mais recentemente Jacob do Bandolim e Paulinho da Viola.Que grupos são esses?Como são muitos, eles fazem diferentes combinações. Às vezes, as mesmas pessoas se reúnem em diferentes dias da semana em diferentes locais com diferentes formações. Grupos se reúnem nas casas de Domingos, de Elisiário ou do Seu José Sansão. Num bar do Porto das Barcas, por exemplo, toda sexta-feira, reúnem músicos de diferentes idades. E isto é que é importante: esse encontro de gerações. Você, de repente, pode encontrar lá até mesmo o Domingos Cunha ou o Francisco Elisiário, remanescentes dos Piratas do Ritmo. Mas muitos desses jovens têm emigrado para Teresina, como o filho do Domingos Cunha, que é músico profissional em Teresina e a neta do Francisco Elisiário, que compõe uma banda na Capital.
(Leia a entrevista completa em O Bembém de novembro, nas bancas da PHB.)









del.icio.us
Digg

Comentários ( 2 postado ):
Poste seu comentário