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Passeio pelos cemitérios de Paris

image Túmulo de Fredéric Chopin, no Père Lachaise

São museus de obras de arte; são lembranças da cultura francesa; são lugares em que se encontra paz.

Père Lachaise e o outros

           Deve ser a única cidade do mundo em que seus cemitérios são pontos turísticos. E muito visitados. Aliás, tudo em Paris é apelo ao turista. É como se a cidade houvesse sido criada para ser ponto de visitação em seus milhares de detalhes. Tudo é marcado pela História da cidade, uma cidade de pouco mais de dois mil anos.

            São quatro os maiores cemitérios, incluindo o de Passy, que fica pertinho da Torre Eiffel e é o menos visitado por estrangeiros. Os mais visitados por parisienses e viajantes são o Père Lachaise, o de Montparnasse e o de Montmartre. Além dos próprios parisienses, que reverenciam seus parentes e seus artistas, esses cemitérios são visitados sobretudo por viajantes não marcados pela sofreguidão dos turistas, pois turistas estão sempre apressados e é preciso ter calma para visitar um cemitério parisiense,essas pequenas joias dentro da cidade. Ao mesmo tempo, enormes museus a céu aberto. Ao abrigo de centenas de árvores (tílias, castanheiros, plátanos...), os túmulos se oferecem ao visitante como memória constante do antigo viver parisiense e da arte funerária; relembrança da gente simples da cidade, dos heróis, mártires, músicos, escritores, poetas, pintores, atores. Passear por qualquer um desses cemitérios, além da paz que marca o passeio, é reencontrar dezenas de nomes de artistas, constantemente reverenciados pelos franceses e estrangeiros que amam a Cultura Francesa.

            No Cimetière du Père Lachaise, só para citar alguns, encontram-se os túmulos de Collete, Gertrud Stein Alphonse Daudet, Paul Eluard, Molière, Sarah Bernhardt, Abelardo e Heloísa, Modigiliani, Eugène Delacroix, Alain Kardec, Frédéric Chopin, Jim Morrison, Marcel Proust, Isadora Duncan.

            No de Montparnasse: Charles Beaudelaire, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Maria Montez, Jean Seberg. Samuel Becket, Marguerite Duras, Man Ray, Guy de Maupassant, Maurice Leblanc, Eugène Ionesco, Honoré de Balzac. 

            No de Montmartre: Alfred de Vigny, Jules e Edmond Goncourt, Alexandre Dumas Filho, Nijinski, François Truffaut.

            E no menorzinho deles, o Cimetière du Passy, ao pé da Torre Eiffel, bairro dos milionários de Paris, ao lado de dezenas de aristocratas e políticos, encontram-se os túmulos de Edouard Manet, Claude Debussy, Jean-Louis Barrault e Madeleine Renaud.

            Mas não se pense que é coisa de morbidez visitar ou passear por qualquer um desses cemitérios parisienses. São bosques. São jardins muito bem cuidados e queridos. Se não quiser passear, mas ir direto a um certo túmulo é só pegar o guia e o encontrará. Agora, se quiser um passeio virtual, visite o saite do maior deles: www.pere-lachaise.com . Só o saite já é uma viagem por todas as ruas e divisões. E, só pra lembrar: Père Lachaise é aquele em que termina Pai Goriot, a obra-prima de Balzac.

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Benjamim Santos
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