A linguagem dos sinos mineiros
O Iphan aprovou o registro dos toques dos sinos das cidades históricas de Minas Gerais como Patrimônio Imaterial do Brasil.
Os sinos e seus muitos toques
Desde 2002, tramitava pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) uma proposta apresentada pela comunidade de São João del Rei pedindo o registro como patrimônio nacional para o toque dos sinos de suas igrejas. A partir daí, o Iphan realizou uma profunda pesquisa sobre o valor dessa Linguagem dos Sinos e sua influência ou relações com a população. Percebeu, de início, que não podia se restringir a São João e ampliou o universo para 9 cidades mineiras.
O Iphan preparou então um dossiê de reconhecimento para aprovação do Conselho Consultivo. Nele, destaca-se todo o repertório de toques a ser preservado e se observa que “os sinos vêm sendo substituídos por instrumentos eletrônicos”. A justificativa das igrejas é a dificuldade de manutenção: custos e precisão de uma ou mais pessoas “para tocar os sinos sempre que necessário”. E são muitos os toques inventariados pelo Iphan naquelas cidades. Toques criados pelos sineiros desde o tempo colonial e transmitidos de geração a geração. Todos têm nomes específicos e os mais conhecidos são: Ângelus, A Senhora é Morta, Toque de Exéquias, Toque de Cinzas, Toque de Finados, Toque de Passos, Toque de Treva, Glória de Quinta-feira Santa, Toque da Ressurreição, Toques de Te Deuns, Toque das Rasouras e Procissões, Toques de Incêndio, Toques de Agonia, Toques Fúnebres, Toques Festivos, Toque de Parto, Toque chamada de sineiros, Toque chamada de sacristão, Toque de Posse de irmandade, Toque de Almas, Toque de Missas, Toque de Natal, Toque de Ano Novo, Toque das Chagas ou Morte do Senhor.
Finalmente, no último 3 de dezembro, o Conselho do Iphan reuniu-se na cidade de São João del Rei e aprovou o Registro a Nível Nacional do Toque dos Sinos de São João de. Rei, Tiradentes, Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Sabará , Diamantina, Serro, e Catas Altas.
Logo que anunciada a aprovação todos os sinos da cidade dobraram seus Toques Festivos. E o Iphan deu mais um passo preservação nacional de nossa memória num valioso reconhecimento de patrimônio imaterial. Para que haja mais, basta que cada comunidade apresente sua solicitação. Depois disso, o Iphan se encarrega dos estudos, da preparação do dossiê e, quem sabe, da aprovação. O que é que as rendeiras da Ilha Grande estão esperando? Ou melhor: quem toma a iniciativa por elas?









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