Portal Costa Norte - Notícias de Parnaíba: DOM AVELAR BRANDÃO DOM AVELAR BRANDÃO ================================================================================ anchieta on 13/09/2009 17:32:00 Logo que assumiu a Arquidiocese de Teresina, em 1955, Dom Avelar Brandão Vilela endereçou-me distinta correspondência através da qual me convidava para assumir o cargo de Redator Secretário do Jornal “O Dominical”, órgão da imprensa católica, de propriedade da Arquidiocese e que circulava semanalmente. Dizia o Prelado que eu poderia responder a carta ou que o procurasse para conversar. Resolvi ir ao Palácio e, muito bem recebido, expliquei-lhe que não tinha mérito para a empreitada porquanto era um modesto estudante do segundo grau. Mas, de acordo com a nossa conversa, terminei aceitando o desafio e passei a colaborar, sem remuneração alguma, com o notável sacerdote. Deixei o jornal em 1959 quando me transferi para Fortaleza. É... teria muita coisa a contar sobre o trabalho que empreendemos, todos, os que fazíamos “O Dominical”. E fiz o que pude. O grande Bispo conseguiu investir no Jornal, que se tornou o de maior circulação no Estado, com milhares de assinaturas. Agora, depois de tanto tempo, gostaria de prestar uma homenagem a esse homem que, chegando a Cardeal Primaz do Brasil, deixou a fama de ser o maior orador sacro do país e realizador de inúmeras obras de grande importância, notadamente aqui no Piauí. Doente, desenganado, dobrado pelo câncer, Dom Avelar escreveu o poema abaixo, que realça a sua grandeza e a sua consolação. MEU IRMÃO ESTÔMAGO Dom Avelar Brandão Vilela Pobre irmão estômago! Estavas doente e eu não sabia há quanto tempo se instalara o mal no meu regaço? * * *seis meses, doze meses? * Ah! Eu não sabia. * Por isso, meu irmão estômago, * nenhuma assistência te podia dar, * São revezes da vida. Quem diria? * E tu, pobre estômago, passaste, então, * a ser vítima de anômala situação: * Todos queriam que fosses pródigo * No receber e digerir alimentos. * E tu, constrangido, te reacusavas. * a faze-lo, dando sinais até * de desagrado e desalentos. * No entanto, jamais, jamais se pensou * que estivesses enfermo e solitário. * Foi quando o corpo todo, lentamente, * começou a dar provas de cansaço * e também de magreza, solidário * com o teu sofrer silente. * Um dia, chegou inesperada revelação: * O estômago traz consigo grande ulceração. * E a biópsia, mais tarde, com lisura, * descobriu que o câncer lá estava * encravado na pequena curvatura. * * Perdão, meu velho amigo de 74! * Perdão! * Eu te agradeço, na esperança, Anchieta Mendes