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DOM AVELAR BRANDÃO

                    
            Logo que assumiu a Arquidiocese de Teresina, em 1955, Dom Avelar Brandão Vilela endereçou-me distinta correspondência através da qual me convidava para assumir o cargo de Redator Secretário do Jornal “O Dominical”, órgão da imprensa católica, de propriedade da Arquidiocese e que circulava semanalmente.

            Dizia o Prelado que eu poderia responder a carta ou que o procurasse para conversar. Resolvi ir ao Palácio e, muito bem recebido, expliquei-lhe que não tinha mérito para a empreitada porquanto era um modesto estudante do segundo grau.

            Mas, de acordo com a nossa conversa, terminei aceitando o desafio e passei a colaborar, sem remuneração alguma, com o notável sacerdote. Deixei o jornal em 1959 quando me transferi para Fortaleza. É... teria muita coisa a contar sobre o trabalho que empreendemos, todos, os que fazíamos “O Dominical”.

            E fiz o que pude. O grande Bispo conseguiu investir no Jornal, que se tornou o de maior circulação no Estado, com milhares de assinaturas.

           Agora, depois de tanto tempo, gostaria de prestar uma homenagem a esse homem que, chegando a Cardeal Primaz do Brasil, deixou a fama de ser o maior orador sacro do país e realizador de inúmeras obras de grande importância, notadamente aqui no Piauí.

           Doente, desenganado, dobrado pelo câncer, Dom Avelar escreveu  o poema  abaixo, que realça a sua grandeza e a sua consolação. 

               MEU IRMÃO ESTÔMAGO 

                     Dom Avelar Brandão Vilela 

         Pobre irmão estômago!

         Estavas doente e eu não sabia

         há  quanto tempo se instalara

         o mal no meu regaço?

  •  
    •  
      • seis meses, doze meses?
  •  

      Ah! Eu não sabia. 

  •  

      Por isso, meu irmão estômago,

  •  

      nenhuma assistência te podia dar,

  •  

      São revezes da vida. Quem diria? 

  •  

      E tu, pobre estômago, passaste, então,

  •  

      a ser vítima de anômala situação:

  •  

      Todos queriam que fosses pródigo

  •  

      No receber e digerir alimentos.

  •  

      E tu, constrangido, te reacusavas.

  •  

      a faze-lo, dando sinais até 

  •  

      de desagrado e desalentos.    

  •  

      No entanto, jamais, jamais se pensou

  •  

      que estivesses enfermo e solitário. 

  •  

      Foi quando o corpo todo, lentamente,

  •  

      começou  a dar provas de cansaço

  •  

      e também de magreza, solidário

  •  

      com o teu sofrer silente.

  •  

      Um dia, chegou inesperada revelação:

  •  

      O estômago traz consigo grande ulceração. 

  •  

      E a biópsia, mais tarde, com lisura,

  •  

      descobriu que o câncer lá estava

  •  

      encravado na pequena curvatura.

  •  

  •  

      Perdão, meu velho amigo de 74!

  •  

      Perdão!

  •  

      Eu te agradeço, na esperança,

      Anchieta Mendes

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