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ESQUECER, COMO?

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É assim a vida. Só de lembranças para quem não é do rol dos esquecidos ou desmemoriados.

                      Esquecer, como, se a memória mais nobre guarda tudo o que marcou a vida? Esquecer, como esquecer, os sonhos que não se tornaram realidade e as realidades que se tornaram doçuras santas ou amargas decepções?

                  Esquecer, para que mesmo esquecer, pergunta-se, se muitas coisas não esquecidas alimentam a alma de doces ilusões? Esquecer, para que esquecer? É melhor lembrar, até mesmo de quem esquece de se lembrar da gente!

    •       Esquecer, nunca!

                  Nunca esquecer, jamais, das paixões plantadas e que se tornaram frondosas e enraizadas na memória mais distinta. Não esquecer das quimeras e das esperanças. Não esquecer de nada que possa nos trazer imagens doces, que ficaram guardadas em nosso coração.

                   Até mesmo lembranças amargas de um amor impossível ou de um possível desamor. Tudo é lembrança na proporção exata da capacidade que temos de amar.  E a lembrança se propaga, se expande, aprofunda-se e domina o ego, o cérebro e o coração do sensitivo, de quem alimenta a sorte de ser apaixonado pelos altos e baixos, pelas belezas e pelos mistérios da vida. 

                  Como esquecer as paixões guardadas a sete chaves e conhecidas somente pelo coração apaixonado? Como? E não seria bom esquecer aquilo que significa um lindo sonho que não teve começo nem terá fim. É bom sonhar para alimentar a alma.

                   Não podemos esquecer a mão amiga, o olhar brejeiro, a palavra confortadora, o sorriso doce, a simpatia pura e magnânima. Esquecer? Como?

                  Pois, amigos, somente de lembranças duradouras e eternas é que estamos vivendo. Vivendo sem permitir esquecer nada que nos engrandeça e faça acreditar que temos condições de revitalizar os sentimentos e as esperanças que não devem, não podem e não haverão de morrer.

                  Esquecer, como?

                  Nem as alegrias, nem as borrascas,

                  As tormentas ou as desditas.

                  Nem as mágoas, nem as lágrimas,

                  Nem, muito menos, o único abraço,

                  Nem um beijo, ou promessa alguma;

                  Não esquecer nunca,

                  O prêmio que não tivemos

                  E que foi impossível buscar

                  Mas serviu de vera causa

    •      De um divino sonhar.

    • Anchieta Mendes 

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