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Juiz Cego - Admirável

Um exemplo 

O procurador Ricardo Tadeu da Fonseca foi nomeado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, desembargador do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 9ª Região (Paraná).

Com a nomeação, publicada na sexta-feira passada no Diário Oficial da União, ele se torna o primeiro juiz cego do Brasil. Ele substituirá a desembargadora Wanda Santi Cardoso da Silva, que se aposentou em janeiro.

Ricardo Tadeu trabalhou por 18 anos no Ministério Público do Trabalho, sendo o único membro do MP cego. "Estou muito feliz, pois estou realizando um sonho. Estou indo para a magistratura com a sensação de dever cumprido. Espero poder levar todo o conhecimento que adquiri aqui", diz.

Em 1990, segundo a assessoria do MPT, o procurador fez concurso para juiz em Campinas (SP), mas foi reprovado na última fase devido à cegueira. "Acabaram me reprovando. O Poder não estava pronto para uma pessoa cega naquela ocasião", diz.

Ricardo Tadeu nasceu prematuro, sofreu paralisia cerebral em decorrência disso e teve deficiência visual, por causa da chamada Retinopatia. Estudou em escola regular incentivado pela mãe, que sempre apostou em sua inclusão escolar.

Aos 23 anos, no terceiro ano da faculdade de Direito, perdeu a visão completamente. Conseguiu se formar pela Universidade de São Paulo muito pelo apoio dos colegas, que gravavam o conteúdo dos livros e das aulas para ele estudar.

Em 1991, quando fez o concurso para procurador do trabalho, foi aprovado em 6º lugar numa prova disputada por 5.000 candidatos.

Além disso, fez mestrado, doutorado, publicou dezenas de artigos acadêmicos e escreveu o livro "O trabalho da pessoa com deficiência e a lapidação dos direitos humanos". 

No trabalho, os assessores leem os processos para Fonseca. Ele aprendeu a linguagem braile, mas se utiliza mais da tecnologia e também usa programas que leem os documentos direto do computador.

Anchieta Mendes

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