MÃOS
Mãos que abençoam, que apedrejam e aplaudem
Mãos que dão adeus, que rezam e dão “palmadas”
Mãos que empurram, que seguram, que asfixiam,
Que estrangulam, que beliscam e apunhalam,
Mãos que colhem flores e plantam mortes,
Mãos que servem de alfabeto ao triste mudo,
Que unidas, elevadas ao céu, chegam a Deus.
Mãos-dadas em gesto de solidariedade.
Mãos que carregam pesos e crianças,
Mãos que apontam os pontos cardeais
Que empunham o punhal e o crucifixo,
Mãos que fazem o sinal da fé com a hóstia
Que elevam o cálice com o vinho santo.
Mãos que conduzem as mãos dos filhos
E transmitem calor, energia e segurança.
Mãos que seguram o rosário das promessas,
Que colocam a comida na boca das crianças,
Mãos benditas que balançam ao ninar,
Mãos que neste linguajar, estendo,
E com elas abraço o irmão e o injustiçado.
Mãos trêmulas pela idade ou a emoção,
Que levam a bengala do ancião ou do doente,
Mãos benditas no amor ou amaldiçoadas no pecado.
Que sangram, que se lavam, uma a outra,
Na trivial manifestação da vida.
Mãos-dadas em gesto de solidariedade.
Anchieta Mendes









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