Capa | BLOGS | Anchieta Mendes | SANTO ANTÔNIO - O SANTO CASAMENTEIRO

SANTO ANTÔNIO - O SANTO CASAMENTEIRO

      Santo Antônio, nascido na capital lusitana, em 1195, também chamado Santo Antônio de Lisboa, é o mesmo Santo Antônio de Pádua, cidade onde faleceu, na Itália, por volta de 1.231. é, ainda hoje, um dos mais queridos em Portugal, cuja veneração se transportou ao Brasil.

      Os festejos populares brasileiros são promovidos em sua honra e, da península Ibérica, chegaram até nós as mais interessantes abusões em torno de Santo Antônio - vestígios, segundo Afonso Arinos, de CULTOS ORGÍACOS DA ÁFRICA E ÁSIA DO PAGANISMO.

      O milagroso Santo é representado com o Menino Jesus nos braços, porque, segundo a tradição, na sua cela de monge, teve FREQÜENTES APARIÇÕES DO DEUS INFANTE, NUM BERÇO DE NUVENS ALVAS, CERCADO DE ANJINHOS.

      O seu prestígio, a sua popularidade, no Brasil, é fato notável, como expressão de arraigada crença de nossa gente.

      Como protetor dos soldados em batalhas cruentas, destacando-se a travada no Rio de Janeiro, contra os franceses, conquistou Santo Antônio altas patentes militares, recebendo os respectivos soldos até o princípio da República.

      Como patrono dos RAPAZES é o responsável por muitos casamentos, ARRANCADOS a custa de promessas e sentidas orações. É, também, a quem se recorre para se encontrar objetos, donde o costume de se RESPONSAR a Santo Antonio para descobrir animais e coisas desaparecidas.

      Conta-se que o primeiro milagre do Santo, interferindo em casamento, foi assim:

      Certa donzela lusitana, de boa estirpe e formosas prendas; de recursos incontáveis mas de avançada idade, depois de muito se esforçar para conseguir um NOIVO, apelou a Santo Antônio.

      Debalde foram as orações, por mais contritas; e as promessas, por mais bem intencionadas.

      Irritada com o DESCASO do Santo, a irrequieta moça atirou a sua pesada imagem, do alto do sobrado, ao meio da rua. Nesse ínterim transitava, despreocupado e alegre, esbelto mancebo, em cuja cabeça a imagem se despedaçara.

      O rapaz caiu por terra, sem fala, desacordado. A culpada por tudo aquilo, tangida de temor, acorreu a socorrê-lo e, com a ajuda de serviçais, acomodou-o em seus ricos aposentos.

      Ao tornar a si, o simpático mancebo, cercado por mimos e cuidados, de riquezas e esplendores, dominou-se por violenta paixão, vindo a casar-se com aquela que, somente depois, veio a saber responsável pelo brusco acidente.

      Foi assim, o primeiro milagre do Santo, em questão de casamento! E, por isso, é que se tornou costume das moças arrancar-lhe dos braços o Menino Jesus, deitarem a imagem de cabeça para baixo, no fundo de um poço, até que venha o MILAGRE.

      É no transcurso do DIA DOS NAMORADOS que trazemos aos prezados leitores algo de folclórico, valendo-nos das lições de Pereira da Costa, citado por Afonso Arinos.

      Passemos a registrar, agora, o famoso ROSÁRIO DE SANTO ANTÔNIO:

      ''Padre, Santo Antônio dos Cativos, vós que sois amarrador certo, amarrai, por vosso amor, quem de mim fugir; empenhai o vosso hábito e o vosso santo cordão, como algemas fortes e duros grilhões, para que façam impedir os passos de FULANO que de mim quer fugir; e fazei ó meu bem aventurado Santo Antônio, que ele case comigo sem demora''.

      Reza-se, depois, uma ave-maria oferecida ao Santo.

      A LADAINHA DAS MOÇAS também é bastante interessante: 

      ''Milagroso São Raimundo

      Casador de todo o mundo

      Dizei a Santo Antero

      Que casar eu quero,

      Na Igreja de São Benedito

      Com um moço bem bonito. 

      No altar de Santa Rosa,

      Quero dar a mão de esposa

      Àquele que tanto amo;

      Pedindo a São Germano

      E também a Santo Henrique

      Que eu bem casada fique; 

      Permita Santo Odorico

      Que o moço seja rico,

      E também, Santo Agostinho,

      Que me ame com carinho;

      Assim como São Roberto

      Que o moço seja esperto. 

      Também rogo a São Vicente

      Que isto seja brevemente;

      Rogo a Santa Inocência

      Não me falte a paciência,

      Assim como São Caetano

      Que isto seja neste ano. 

      Já roguei a Santa Inêz,

      Que não passe deste mês,

      E a Santa Mariana,

      Que seja nesta semana;

      E à Virgem Nossa Senhora,

      Seja mesmo nesta hora! 

      Consta do manuscrito desta Ladainha a seguinte nota, segundo os citados escritores:

      Esta oração é oferecida a São Raimundo duas vezes por dia, uma ao levantar-se, pela manhã, outra ao deitar-se, à noite; rezando-se durante um mês, a pessoa alcançará o que deseja, isto é, casar-se. À hora do meio dia a pessoa deve rezar um Padre-Nosso e uma Ave-Maria. Eu garanto. Assinado: Maria Trindade Ferreira.''

      Há, também, uma variante desta oração que diz assim:

            São Bartolomeu - casar-me quero eu;

            São Ludovico - com um moço rico;

            São Nicolau - que ele não seja mau;

            São Benedito - que seja bonito;

            São Vicente - que não seja impertinente

            São Sebastião - que me leve à função;

            Santa Felicidade - que me faça a vontade;

            São Benjamin - que tenha paixão por mim

            Santo André - que não tome rapé;

            São Silvino - que tenha muito tino;

            São Aniceto - que ande bem quieto;

            São Miguel - que dure a lua de mel:

            São Bento - que não seja ciumento;

            Santa Margarida - que me traga bem vestida;

            Santíssima Trindade - que me dê felicidade. 

      Por terminar esta conversa fiada, uma lição da sabedoria popular um tanto irreverente:

            MATRIMÔNIO - PRAÇA SITIADA: os de fora querem entrar; os de dentro querem sair.

      Vejamos mais uma gozação sobre o casamento: 

      O casado é meio home

      O solteiro é home inteiro

      O viúvo é o rei dos home

      Dito por Deus verdadeiro !

      Quem se casa duas vez

 É mesmo um burro caseiro. 

      Quando o home vai casá

      Neste dia , todo o dia,

      Deveriam por-se a dobrar

      Os sinos da freguesia. 

      Todo home quando embarca

      Deve rezar uma vez,

      Quando vai à guerra duas

      E quando se casa três. 

      É isto mesmo: quem casa não recebe apenas um sacramento,  mas dois : - matrimônio e penitência.

      

'O Portal Costa Norte é apenas meio contratado para divulgação deste material. Todo conteúdo, imagem e/ou opiniões constantes aqui neste espaço é de responsabilidade civil e penal exclusiva do blogueiro, colunista ou de quem utilizou sua senha pessoal para postar as informações, cujo código é de responsabilidade do respectivo autor e desconhecido pelo portal. O material aqui divulgado portanto, não mantém qualquer relação com a opinião editorial da empresa.'
Compartilhar: Add to your del.icio.us del.icio.us | Digg this story Digg

Comentários ( 0 postado ):

Poste seu comentário comment
Por favor entre o código que você vê na imagem:
Concordo com o termo de responsabilidade do portal.
  • email Enviar para amigo
  • print Versão para impressão
  • Plain text Versão texto
image
Anchieta Mendes